A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 19/05/2020
No livro “Madame Bovary”, a protagonista é uma jovem do interior de grandes ambições, que se desilude quando seu casamento acaba não correspondendo a suas fantasias românticas. Assim, encontra refúgio no adultério e nas compras, e o último acaba levando-a a se afundar em dívidas. Essa realidade é vista também hoje nos cidadãos brasileiros, cujos gastos desenfreados e pouco planejamento são causados, em grande parte, por haver um deficit em termos de educação financeira. E esta é de suma importância numa nação, pois facilita ascensão social e tem impactos a longo prazo.
Primeiramente, educação financeira é importante porque possibilita ascensão social. A renda de um indivíduo não necessariamente condiz com a classe social a que ele pertence, uma vez que, sem planejamento, ele pode se soterrar sob dívidas e ter um padrão de vida inferior às suas possibilidades. Assim, como qualidade de vida é uma das grandes balizas a partir das quais se mede uma nação — tanto que é uma das três variáveis do Índice de Desenvolvimento Humano —, verifica-se a importância da educação financeira, para que os cidadãos não vivam em condições aviltantes. Isso é válido sobretudo para os mais pobres, que gastam dinheiro que não possuem graças ao fenômeno contemporâneo do crédito. Por isso surgiram iniciativas como a da YouTuber Nath Finanças, que ensina educação financeira para pessoas que costumam ter dificuldade em pagar o básico, como alimentação.
Além disso, educação financeira provavelmente ocasionará melhoras duradouras na sociedade. Isso encontra respaldo histórico, uma vez que a geração dos “baby boomers”, nascidos após a Segunda Guerra, é descrita por sociólogos como estável na profissão e na família, além de ativa em corpo e mente. Os filhos dos “boomers”, a geração X, sofreram grande influência dos pais, e são conhecidos por serem focados, viciados em trabalho, ambiciosos e individualistas. Desde então, no entanto, as formas de comunicação ampliaram as divisas entre pais e filhos, o que limitou o impacto dos mais velhos nos mais novos, e a efemeridade dos dias atuais, das redes sociais e das mídias, como disserta Bauman, fizeram com que as gerações subsequentes, Y e Z, fossem imprudentes e perdulárias. Promover educação financeira, nesse sentido, pode ter efeitos em múltiplas faixas etárias.
Assim, com o intuito de promover bem-estar à população da forma mais longeva possível, é necessário que duas medidas sejam tomadas: primeiro, que o Ministério da Educação insira educação financeira nas escolas, por meio de projetos interdisciplinares e interativos, adaptados às realidades das regiões do país; e segundo, que a sociedade civil e as ONGs promovam mudança nas gerações mais velhas, através de projetos nas comunidades e nas redes sociais, para que todos consigam ser mais responsáveis com seu dinheiro e tenham uma melhora na qualidade de vida.