A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 21/05/2020
Conhecida como “A grande depressão”, a crise monetária ocorrida nos Estados Unidos em 1929 demonstrou como a má administração do dinheiro pode gerar consequências graves. Referências como essa fomentam, na atualidade, o discurso de especialistas em defesa da necessidade da educação financeira em diversos países. No Brasil, o grande contigente de pessoas economicamente ativas torna ainda mais urgente a democratização do conhecimento acerca da administração das finanças, o que encontra como entraves sua plena inserção na escola e a desinformação.
A princípio, observa-se que a falta de capacitação dos professores para abordar o tema dificulta o entendimento da importância da adminstração consciente das finanças pelos alunos. Quanto a isso, o pedagogo Paulo Freire afirma que a aprendizagem efetiva demanda participação ativa dos discentes. Dessa forma, ao não ter acesso ao treinamento necessário, o docente não consegue desenvolver experiências práticas de planejamento monetário nas salas de aula. Tal fato contribui para que os estudantes não apliquem esse conhecimento em seu cotidiano, perpetuando, assim, a cultura do uso irrestristo do dinheiro a longo prazo no país.
Outrossim, a desinformação acerca da existência de canais de comunicação gratuitos que tratam do uso monetário consciente contribui para agravar a problemática. Para “Nathalia Finanças”, colunista e criadora de conteúdo digital sobre o tema, a tecnologia contribui para evitar os endividamentos decorrentes da desorganização financeira dos cidadãos, pois fornece orientações de forma democrática e coletiva. Apesar disso, a existência de tais plataformas digitais é pouco divulgada nas grandes mídias, como televisão e rádios, de forma que a população entre trinta e sessenta anos - os mais inadimplentes, segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito - sequer tem, por vezes, conhecimento de que poderiam utilizá-las como aliadas.
Depreende-se, portanto, que a falta de educação financeira é uma problemática latente. Para minimizá-la, as secretarias estaduais e municipais de educação devem capacitar os professores para o ensino financeiro nas escolas. Isso pode ser realizado mediante a distribuição de materiais didáticos e promoção de oficinas, a serem ministradas por profissionais experientes, nas quais docentes de diversas escolas aprenderiam, de forma conjunta, estratégias de como abordar a temática em sala. Além disso, as secretarias de justiça devem informar sobre a possibilidade de aprendizagem financeira à distância. Para tal, deverá firmar parcerias com emissoras de televisão e rádio, bem como disponibilizar uma lista pública orientando sobre as opções de plataformas seguras disponíveis na internet. Espera-se, assim, que a experiência de 1929 contribua para que novas crises sejam evitadas.