A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 20/05/2020

Em meados do século XX, a base doutrinaria estabelecida pelo poeta e dramaturgo alemão Bertolt Brecht afirmava que “Nenhum problema nos deve parecer natural, nem impossível de ser mudado”. Nesse sentido, a questão financeira no Brasil, perpassando pela má formação educacional desta, urge por mudanças significativas. Sob essa perspectiva, infere-se que a ineficiente gestão estatal e a compactuação da sociedade são, indubitavelmente, canalizadores desse panorama.

Em primeiro plano, sob a ótica sociopolítica, a educação financeira é dificultada pela displicência operacional do Estado em promover políticas públicas que visem a conscientização da população. Esse fato decorre do esfacelamento ético do poder público que secundariza pautas educacionais em detrimento de interesses subjetivos que visem a perpetuação do político no poder. Essa realidade ilustra com precisão aquilo que no o sociólogo Zygmunt Baumam refletira acerca do Governo Neoliberal, o qual, tem como prerrogativa inerente a busca pela satisfação do Mercado e das relações fisiológicas de poder e, para tanto, informa a sociedade sobre como funciona os esquemas de parcelas, empréstimos e os juros relacionados a eles, não parece ser uma boa estratégia, haja vista que vai contra aos interesses dos grandes empresários e banqueiros que apoiam o Governo. Dessa forma, fica notório que essa má gestão estatal acaba por fomentar a falta de educação e planejamento financeiro.

Ademais, em uma segunda análise, a dificuldade de superar essa problemática é auxiliada pela compactuação da população. A gênese desse fato decorre de pais que não normalizam o hábito de dialogarem com os seus filhos sobre os temas relacionados ao dinheiro, além também de não dar, desde cedo, autonomia para eles poderem administrá-lo, por meio de mesadas ou poupanças, criando, desse modo, um quadro no qual os jovens não possuem muita noção de como se planejar financeiramente. Posto isso, tal modo de educação familiar acaba indo na contramão do pensamento defendido pelo filósofo Michael Foucault, em sua teoria da Normalização, na qual afirma que certos comportamentos e ideias são considerados naturais, por meio de intensa repetição no cotidiano do indivíduo.

Torna-se evidente, portanto, que a compactuação da sociedade e a precarização do Poder Público constroem e auxiliam na má formação educacional financeira. Ao objetificar imprescindibilidade da superação desse panorama, o Poder Executivo Federal deve repassar verbas a Secretaria Nacional de Propaganda para que essa em parceria com as mídias - televisão, rádio e internet - produzam, com professores e especialistas em economia, campanhas educativas, com intuito de orientar e alertar sobre os esquemas de juros atribuídos às parcelas e empréstimos, melhorando a problemática no país.