A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 22/05/2020
O filme brasileiro “Até que a sorte nos separe” retrata a vida de Tino, o qual, após ganhar na loteria, vive dias de ostentação descontrolada com sua mulher, acarretando em uma subsequente falência. Fora das telas, devido a uma sociedade de caráter consumista e do descaso do Estado no investimento da educação financeira, muitos brasileiros também acabam se endividando, tendo seus bens perdidos, vida prejudicada e consequentemente aumento do número de inadimplentes no país.
Primeiramente, consoante ao livro “Sociedade do Espetáculo” do escritor francês Guy Debord, as pessoas buscam performar a própria vida para entreter os outros, demonstrando perfeição no que é e no que faz. Desse modo, há uma necessidade incessante de adquirir bens materiais para a apresentação desse espetáculo, o que explica o consumismo exacerbado. Assim sendo, o dinheiro é gasto sem pensar, não é investido e acaba se tornando um problema na vida do cidadão, fazendo com que o Brasil, segundo dados do SPC, fechasse o ano de 2018 com cerca de 62,6 milhões de inadimplentes. Tal resultado, está diretamente relacionado ao fato do Brasil se estabelecer como o 74° no ranking de educação financeira mundial, o que revela a importância dessa disciplina no cenário econômico e social.
Outrossim, essa situação relaciona-se com o pensamento do filósofo polonês Zygmunt Bauman que dizia que algumas instituições sociais, como o Estado, perderam sua função, configurando-se como uma instituição zumbi, ou seja, apenas recebe impostos mas não os tornam em benefícios à nação. Assim sendo, não há um doutrinamento acerca da educação financeira, fazendo com que muitos brasileiros tenham que buscar outras fontes para esse estudo, como o canal do YouTube “Me Poupe”, da Nathalia Arcuri, que apresenta mais de 4,5 milhões de inscritos. Esse número demonstra a relevância e a necessidade dos cidadãos em administrarem melhor o próprio dinheiro, adquirindo maior organização, conhecimento sobre investimentos, gastos com consciência e, consequentemente, tornando o dinheiro como auxílio para uma vida mais digna e um Estado menos endividado.
Dessarte, medidas são necessárias para solucionar o presente impasse. Assim, cabe ao Ministério da Educação, propor uma lei entregue a Câmara dos Deputados, que estabeleça como obrigatório o estudo da educação financeira nos ensinos fundamental e básico, por meio de aulas e palestras acerca do funcionamento de assuntos relacionados, como economia e matemática, além de ensinos práticos sobre o assunto no dia a dia. Busca-se através dessa ação, a formação de cidadãos mais conscientes acerca da importância da disciplina e menos manipulados pela sociedade do espetáculo, gerando, por consequência, uma sociedade com maior criticidade e menos endividada.