A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 08/06/2020

No filme “Até que a sorte nos separe”, o protagonista Tino passa a viver luxuosamente depois de ganhar uma fortuna na loteria, entretanto, pouco tempo depois, percebe que gastou tudo o que tinha e está falido. Na realidade, poucos têm a sorte inicial do personagem, mas muitos passam por dificuldades parecidas a sua devido à inabilidade para lidar com o dinheiro. A partir disso, entende-se a importância de se ter uma boa educação financeira, área que vem sendo negligenciada ao longo dos anos pelos cidadãos e pouco investida pelo poder público. Dessa forma, faz-se necessária uma maior discussão dessa questão para que sejam controlados os efeitos negativos ao país.

Primeiramente, nota-se que há uma cultura de desinteresse pelo assunto que reflete no mal uso dos bens financeiros. No livro “Sapiens, uma breve história da humanidade” o autor relaciona o surgimento de uma das primeiras formas de dinheiro, os grãos de cevada sumérios, ao surgimento da escrita. Isso porque, da mesma forma que ela se desenvolveu pela necessidade de se intensificar as adividades administrativas, o dinheiro veio para auxiliar as atividades e o crescimento econômico. Sob essa perspectiva, é perceptível que falta uma curiosidade e um entendimento das origens e do valor das relações econômicas por parte da sociedade, já que é tão comum o desperdício monetário em atividades improdutivas, o consumismo e a cultura de ostentação que, na maioria das vezes, trazem como consequência, o endividamento.

Ademais, deve-se pontuar que os sistemas educativos têm responsabilidade em tal falta de domínio da população no assunto. A esse respeito, o economista Arthur Lewis afirma “educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido”. Diante disso, uma família desestruturada e um ambiente escolar pouco preocupado em informar sobre consciência de gastos, organização e como investir e poupar fomentam o desenvolvimento de jovens sem perspectiva de crescimento profissional. Essa problemática gera um grave ciclo de desigualdade social, bem como a perda de qualidade de vida, uma vez que, em situações de crise econômica, há aumento de casos de diversas enfermidades ligadas a saúde psíquica humana, como a depressão.

Logo, é urgente que a educação financeira seja priorizada no Brasil. Para tanto, O Ministério da Educação deve investir em projetos de inserção, nas escolas, de conteúdos ligados ao setor econômico que despertem a curiosidade e o interesse dos alunos. Isso deve ser feito por meio de uma melhor capacitação dos professores para combinar disciplinas exatas e humanas a noções econômicas, além de promoção de palestras de influenciadores digitais da área. Assim, se formará uma geração mais preparada e menos susceptível a grandes perdas como as do personagem na ficção.