A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 25/05/2021

Inadimplência, estresse, dificuldades financeiras… Diversas são as adversidades de pessoas que não obtêm a educação financeira — orientações sobre o planejamento financeiro e entendimento do funcionamento da economia. Infelizmente, no Brasil hodierno, essa instrução está sendo negligenciada, já que de 41% dos adultos nativos terminaram 2018 com alguma conta atrasada e com o CPF negativado, de acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) , o que é inaceitável. Essa conjuntura retrógrada se deve tanto aos aprendizados adquiridos na infância quanto à lacuna escolar.

Para entender esse cenário, é necessário, antes de tudo, destrinchar os diversos fatores que o provocaram. Dessa maneira, conforme Émile Durkheim, é na infância que os indivíduos adquirem os valores morais e éticos da sociedade em que se encontram. Nesse viés, nota-se que a mentalidade brasileira acerca do dinheiro provém da educação que lhe foi dada, visto que, culturalmente, o brasileiro não possui uma relação saudável com o dinheiro, devido ao ensino jesuíta do século XVI, que condenavam a acumulação de capital. Desse modo, a cultura de que ser pobre é bom continua a ser perpetuada, o que impede o avanço monetário da sociedade. Em vista disso, torna-se primordial a mudança da mentalidade coletiva para que as próximas gerações tratem o dinheiro com responsabilidade e não se endividem.

Ademais, a negligência educacional também colabora para a perduração desse quadro nocivo. Assim sendo, segundo Anísio Teixeira em sua obra “A educação é um direito”, a escola tem o dever de nutrir o cidadão com informação para que ele possa administrar as dinâmicas sociais. Todavia, a realidade é a contrária pregada pelo educador, uma vez que não há ensino sobre finanças nas instituições públicas, dado que, consoante um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, mais da metade dos jovens de 15 anos não tem conhecimentos básicos sobre como lidar com dinheiro. Dessarte,a matemática é ensinada de forma inflexível, cuja a maioria dos jovens tem dificuldade de entender e aplicar no cotidiano. Desse modo, urge a extrema necessidade de alterações estruturais para a ocorrência de melhor qualidade de vida para todos.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação e Cultura, órgão responsável pelo sistema educacional brasileiro, promover debates e rodas de conversas nos colégios, por meio da contratação de economistas e investidores, a fim de proporcionar o senso crítico nas crianças sobre investimentos e organização financeira. Além disso, tais aulas devem ser, ainda, disponibilizadas para toda a população, por meio das redes sociais, como o Instagram e o Facebook. Por conseguinte, a juventude aprenderá como lidar com a autonomia financeira ao invés de aumentar as estatísticas do SPC.