A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 21/08/2020

Ao tematizar a necessidade de instituições educativas, o sociólogo francês Emile Durkheim aborda o ensino como fator preponderante para a inserção e a preparação do indivíduo na sociedade. Dessa forma, em meio a um cenário socioeconômico marcado pela instabilidade, a importância da educação financeira é recrudescente. No entanto, é indubitável tal proposta é deturpada, tendo em vista não só sua diminuta tematização, mas também sua superficialidade àqueles que sofrem com a disparidade. Perante isso, são necessárias ações em prol de uma orientação ampla acerca do controle monetário.

Nesse sentido, é importante destacar que a consciência quanto ao contexto liberal, característico da contemporaneidade, é fundamental para a superação de crises. Nessa perspectiva, o economista Keynes, durante a Crise de 1929, abordou as recessões como eventos periódicos persistentes, em um cenário de livre mercado. Entretanto, mesmo no século posterior ao “‘Crash’ de 1929”, a restrita veiculação de informações competentes para superação de situações de ônus é preponderante para agravar ciclos deletérios. Consequentemente, é inquestionável que a desinformação pecuniária tramita devido a um sistema retrógrado que vilipendia a abordagem de temas fundamentais para a formação socioeconômica plena dos cidadãos.

Ademais, é necessário ressaltar que a difusão democrática sobre o consumo possibilita a gestão monetária qualitativa. Infelizmente, devido à desigualdade, diversas pessoas sofrem com a miséria, o que subverte essa proposta. É com base nisso que a administradora e orientadora financeira Nathalia Rodrigues aborda a marginalização das pessoas com baixa renda e sua relação com o descaso governamental em oferecer uma educação, seja escolar ou midiática, abrangente quanto ao controle de dívidas e à discrepância social. Nesse viés, é incontrovertível que a assimetria na sociedade, por restringir o acesso à informação e ao ensino, acirra uma exclusão cíclica por dificultar a mobilidade social inerente à consciência econômica.

Destarte, ante a recorrência de crises, característica do capitalismo, e a exclusão, urgem medidas em prol da democratização de uma formação fundamental para a qualidade de vida. Para isso, é fulcral que o Ministério da Educação, associado à Secretaria Especial da Cultura, suscite a tematização inserção econômica. Isso deve ocorrer por intermédio de palestras públicas nas instituições de ensino, as quais devem orientar financeiramente o corpo docente e a comunidade, com o fito de tornar a educação um meio para a superação das crises e das mazelas sociais. Assim, alcançar-se-á, paulatinamente, tal como proposto por Durkheim, uma educação capaz de integrar cidadãos à sociedade.