A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 11/08/2020

Em sua icônica obra “A República”, Platão descreve a idealização de uma sociedade na qual cada um dos seus integrantes é um ser pensante e tem consciência da sua individualidade, sem se moldar com base em rótulos. Esse modelo social pode ser considerado como utópico ao se observar a situação em que se encontra a educação financeira no mundo capitalista atual. Faz-se nítido, sob tal perspectiva, que essa situação problemática se dá por conta da falta de conhecimento da população quanto ao gerenciamento de seus recursos, que por sua vez, leva a um consumismo desenfreado. Logo, é evidente a necessidade do Estado de realizar ações que visem reduzir tal panorama.

Inicialmente, mostra-se relevante que tal consumismo tem sua origem atribuída aos primórdios da civilização humana, de forma que, ao longo de toda a história, as sociedades existentes sempre requisitavam a contribuição e, mais importante, a integração de seus componentes, que do contrário, seriam excluídos de seus grupos. A exemplo, demonstra-se o período conhecido como “loucos anos 20” que ocorreu nos Estados Unidos na década de 1920, no auge lúdico do capitalismo do país. Sob tal ótica, confirma-se a exclusão da sociedade àqueles que não se inserem devidamente, que, no momento em questão, eram representados pelos que não tinham poder de compra e eram vistos como fracassados, demonstrando de tal modo a necessidade de mudança sempre presente.

A partir da origem histórica referente a esses desregulados hábitos de consumo, torna-se aparente que esse vício por compras é um mecanismo de defesa dos indivíduos que visa a manutenção de sua posição em um sistema industrial massivo. Esse sentimento de necessidade de integração de um cidadão a seus semelhantes pode ser explicado por Émile Durkheim, ao abordar o conceito de solidariedade orgânica, no qual afirma que os componentes de uma sociedade interdependem e, juntamente, à sociedade. A partir desse conceito, é evidente que essa busca por inserção é refletida no consumo dos produtos que possibilitem às pessoas satisfazer sua impressão de pertencimento, fator que deixa claro a ingenuidade da população quanto à sua gestão financeira.

Dessa forma, portanto, faz-se explícito o risco que a carência de consciência econômica representa para a sociedade atual e a urgência de ser atenuada. Assim, se faz necessário que o Estado promova um maior incentivo a saúde monetária, por meio da criação de disciplinas como educação financeira no currículo escolar obrigatório, visando um menor descaso para com o tratamento de recursos e gestão de finanças, de maneira geral. Ademais, também é válida a disponibilização de cursos gratuitos disponíveis àqueles fora do ambiente escolar. Por fim, assim sendo, é possível vivermos em um mundo cuja sociedade se aproxima mais da proposta por Platão, uma sociedade justa e consciente.