A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/08/2020

O filósofo francês Sartre, em sua tese sobre liberdade, defende que as escolhas de cada ser humano definirão a sua essência, — de maneira que poderá afetar todo o mundo —, cabendo a ele escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, percebe-se a irresponsabilidade do cidadão no que concerne à questão de uma educação financeira em sua vida, afetando diretamente sua estabilidade. Dessa forma, nota-se que essa problemática reflete um cenário de iniquidade que permanece e reflete em toda sociedade nacional, influenciada pela carência instrutiva sobre o conflito, além do presente consumismo.

Em primeiro plano, destaca-se uma inópia educativa como um dos gargalos para a consolidação do problema. Destarte, no livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, privado do acesso ao conhecimento, acaba sendo explorado por aqueles usufruíam do saber. Sendo assim, o panorama brasileiro não foge da realidade do personagem em relação ao aprendizado financeiro, dado que, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), em julho de 2019, o percentual de famílias brasileiras endividadas alcançou 62,7%. Logo, é nítido que essa inadimplência no país, denota um grande desleixo quanto ao controle monetário, que deriva de uma insuficiente base educativa, e favorece a grande instabilidade financial.

Além disso, é preciso atentar para o intenso consumismo sendo mais um empecilho para a resolução desse impasse. Assim, desde o advento da Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, o mundo vem demasiadamente priorizando produtos e mercado em detrimento de valores humanos essenciais, fazendo crescer um consumismo desenfreado. Deste modo, de acordo com dados do Indicador de Consumo Consciente (ICC), apenas 31% dos brasileiros são consumidores conscientes. Posto isso, tais fatores demonstram que pouca parte da população vêm adotando práticas mais responsáveis financeiramente, e revela que a maioria dela, compra em excesso, contribuindo para o alto índice de endividamento.

Dessarte, é nítido que a educação financeira na vida do cidadão é uma resolução de problemas,  tais como, a lacuna educacional apontada, e o consumismo agudo. Por isso, é necessário que o Ministério da Economia em parceira com o Ministério da Educação, desenvolva projetos educacionais, — como palestras e campanhas em eventos abertos ao público, — de maneira que ensine e conscientize a população a ter uma maior responsabilidade monetária. Outrossim, é essencial que esses ministérios cuidem para que a incorporação da educação financial em sala de aula seja aplicada em todas as escolas, de maneira que os alunos aprendam e pratiquem essa metodologia desde o básico.