A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 18/08/2020

É possível verificar - a partir da análise de dados da Confederação Nacional de Comércio em 2015 e das informações divulgadas pelo Serviço de Proteção ao Crédito em 2018 - que o quadro de inadimplência dos cidadãos brasileiros persiste. Nessa faixa de três anos, a porcentagem de adultos devedores cresceu 20%, demonstrando que a importância de discutir educação financeira no país. Dessa forma, é necessário aperfeiçoar a maneira com a qual esse tema é trabalhado principalmente com os jovens, uma vez que as políticas públicas nessa área têm se mostrado parcialmente eficazes.

Primeiramente, é preciso ressaltar que a educação sobre finanças deve abranger várias faixas etárias, mas é especialmente necessária aos mais jovens. Estatísticas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico apontaram, em 2015, que os adolescentes brasileiros de 15 anos não sabiam lidar com operações financeiras no cotidiano. Consequentemente, esses cidadãos de menor idade acabam ficando mais propensos a terem uma vida financeira desregrada no futuro. Ademais, com a tendência de inversão da pirâmide etária brasileira, torna-se urgente ensinar essas pessoas acerca de como poderão gerenciar seu dinheiro para não dependerem exclusivamente das aposentadorias no futuro, as quais tendem a terem seus valores reduzidos.

Além disso, é importante destacar que, apesar de projetos públicos terem sido realizados em relação ao problema, os efeitos foram insuficientes para saná-lo. Segundo Gustavo Cerbasi, especialista em finanças pessoais, a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF) carece da interdisciplinaridade necessária para a criação de planos sobre como usar o dinheiro em contextos variados. Tal crítica demonstra-se válida, considerando que grande parte dos materiais desse programa governamental trata mais sobre como realizar cálculos de receitas e despesas no dia-a-dia do que acerca de como analisar as variáveis de cada situação - como valor nutricional e custo benefício na escolha entre dois tipos de alimento - para a tomada de decisões.

Dessa maneira, ações são necessárias para que os jovens tenham suas habilidades de gestão financeira desenvolvidas por meios mais eficazes. Urge que o Ministério da educação, em parceria com instituições de soluções digitais, potencialize o ENEF com melhorias. Por meio de verbas públicas, deve-se encomendar a criação de jogos educativos que sejam instalados em computadores de escolas e bibliotecas públicas. Esses jogos deverão expor situações reais de planejamento no qual o jogador deverá analisar as variáveis envolvidas no contexto e tomar as melhores decisões a curto, médio e longo prazo. Essas medidas, aliadas ao estímulo vindo do docente para que os jovens dialoguem com suas famílias sobre finanças, poderão melhorar a vida financeira dos cidadãos brasileiros.