A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 02/09/2020

No seriado americano “Todo mundo odeia o Chris”, o patriarca da família, Julius, é extremamente educado financeiramente, uma vez que analisa todos os contratos, promoções e propostas antes de realizar qualquer compra. Entretanto, no Brasil, a realidade é bem diferente, já que, segundo a UOL, em 2018 mais de 68 milhões dos brasileiros terminaram o ano inadimplentes, demonstrando que não só a má administração dos gastos, mas também a negligência estatal perante o quadro educacional da população, configuram a falta de educação financeira como um sério problema social.

Em primeira análise, é importante citar que o consumismo está entre as causas da dificuldade dos brasileiros em administrar o próprio dinheiro, tornando-os inadimplentes.Nessa lógica, a letra da música de Mc Rebecca, a qual exprime o trecho “Gosto de gastar e isso não é novidade, hoje já gastei mais de 10 mil com minha vaidade”, representa mais de 54% da população, que, consoante o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), já realizaram aquisições desnecessárias que comprometeram o seu saldo orçamentário. Logo, é notório que a busca por ser incluído em um grupo, por exemplo, motiva indispensabilidade de acompanhar tendências, o que implica a compra de forma exagerada e sem consciência, que tem como principal efeito o endividamento exacerbado da população.

Em segunda análise, é importante citar que o descaso do Estado no tocante à importância da pedagogia financeira contribui para que a problemática aumente. Por essa ótica, é de conhecimento geral que a Constituição Federal, promulgada em 1988, garante a todos o direito à educação. Lamentavelmente, mesmo com o elevado contingente de pessoas com orçamento deficitário, a lei 9.304, que garante a presença de disciplinas de educação financeira nas escolas, promulgada em 1996, até hoje não foi efetivada. Nesse sentido, comprova-se que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor dos direitos básicos aos cidadãos, o que coopera para que os direitos previsto por lei permaneçam somente no papel.

A partir dos fatos supracitados, o Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Educação, deve proporcionar a efetivação da lei já aprovada, por meio da adição de matérias na grade escolar que abordem a educação financeira, para prontificar o exercício do raciocínio entre os alunos acerca de seus gastos. Sob essa perspectiva, tal medida deve ser realizada a partir do incentivo à isenção fiscal de empresas privadas que investirem em projetos desse cunho em escolas, o que possibilita a seguridade desse projeto por parte do Estado. Com isso, o intuito dessa prática é promover a consciência financeira entre os brasileiros e, em um futuro próximo, experienciar a criação de mais “Julius” na economia brasileira.