A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 09/09/2020
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma temática no que diz respeito à importância da educação financeira, já que segundo o portal Uol, em 2018, cerca de 62,6% dos brasileiros fecharam o ano com o nome sujo no SPC. Nesse sentido, em virtude não só da lacuna educacional existente em território nacional, mas também do consumismo, emerge um problema complexo que precisa ser resolvido.
Em primeira análise, é preciso salientar que a negligência do ambiente escolar atua como perpetuadora da problemática. Consoante Immanuel Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob esse viés, no que tange à educação financeira no século XXI, verifica-se uma veemente influência dessa causa, uma vez que muitas vezes a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema, visto que não tem trazido esses conteúdos para a sala de aula, por exemplo, em matéria já criadas como história e sociologia, de modo a fortalecer os debates — que estão silenciados —, sobre tal questão na vida escolar dos alunos, e, portanto, formar pessoas com um maior nível de conhecimento da importância de tal ensino. Assim, enquanto a escola, instância máxima e peça fundamental na formação do indivíduo, não cumprir com esta tarefa, os cidadãos continuaram sofrendo com os impactos causados por tal situação.
Além disso, outra causa para a configuração do problema é o consumismo. Desse modo, o conceito de “sociedade do consumo” se torna bastante útil, pois é um termo utilizado para designar a população a qual se caracteriza pelo consumo massivo, uma causa latente da falta da educação financeira na vida de cada cidadão. Platão contribui para a discussão ao definir que o amor (Eros) era o desejo por aquilo que não se tem. Dessa forma, percebe-se uma analogia entre o amor platônico e o consumo, gerando, então o consumismo, que tanto prejudica esta mazela, pois na sociedade atual quase não se observa um pensamento racional e menos imediatista, o que impede a dissolução deste panorama.
Logo, uma intervenção faz-se necessária. Destarte, é preciso que ONG’s especializadas no assunto, em parceria com o Governo federal, por meio de verbas governamentais, elaborem cartilhas sobre a importância da educação financeira para a construção de cada indivíduo. Tais cartilhas devem ser disponibilizadas nas redes sociais e distribuídas nos grandes centros urbanos, utilizando papel reciclável para impressão. O objetivo deve ser abordar o impacto do consumismo à consolidação do problema e sugerir métodos alternativos de consumo, que não intensifiquem a questão. Dessa maneira, a proposição de Kant será concretizada na realidade brasileira.