A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 18/09/2020

Consoante o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico”, o qual possui suas partes dependentes. Assim, se uma parte do “organismo social” não está bem, todo o resto é afetado. Tal pensamento aplica-se à parcela da população sem educação financeira, afetando não somente suas vidas, como de toda estrutura econômica da nação onde vivem. Dessa forma, a falta de controle de gastos, e o mal planejamento financeiro, são realidades que reforçam a importância de a sociedade aprender a gerir suas finanças adequadamente.

Diante desse raciocínio, o consumo não planejado e suas consequências é um problema na sociedade moderna, representando um desequilíbrio entre poder de compra e poder aquisitivo. Nesse sentido, de acordo com dados recentes do IBGE, 68% das família brasileiras gastam mais do que ganham, chegando, em algum momento, a ter o nome negativado. Tal fato é reflexo da ausência de educação financeira, a qual deve ser estimulada em todas as faixas etárias e grupos sociais, evitando cenários de instabilidade.

Sobre a mesma temática, planejar as finanças é também uma forma de o cidadão estar preparado para eventuais crises, sendo primordial na estabilidade econômica do corpo social como um todo. Nesse contexto, no início do século XX, o governo norte americano concedeu muito crédito à população, confiante no crescimento econômico vivido no país. Contudo, uma inesperada crise econômica, que ganhou o nome de “A grande depressão”, atingiu os Estados Unidos, e a população, embora vinda de um bom momento econômico, não soube lidar com a crise, endividando-se gradativamente. Tal realidade reforçou a depressão econômica da nação, enquanto poderia ser evitada se toda a população tivesse acesso à educação financeira.

Conforme o exposto, é primordial a efetivação de uma educação financeira capaz de alcançar toda sociedade, evitando crises como as mencionadas. Para tanto, cabe ao Ministério da Economia criar um programa federal voltado para a orientação dos cidadãos sobre mecanismos de controle de gastos, investimentos seguros e gerenciamento financeiro inteligente e produtivo. Para viabilizar esse programa, deve haver a participação de economistas em palestras financiadas pelo Ministério, destinadas a pessoas com risco de ter seus nomes negativados, a fim de educá-las fianceiramente. Ao mesmo tempo, o programa deve promover conteúdos midiáticos, na TV e redes sociais, voltados para educação financeira da população, para que ela possa dominar melhor seus gastos. Com medidas dessa natureza, é possível equilibrar financeira e economicamente as partes da sociedade, as quais são dependentes, tal qual o raciocínio de Émile Durkheim.