A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 17/09/2020
John Locke – filósofo empirista do século XVII – entendia que a mente humana, no nascimento, é uma tela em branco que pode ser preenchida com conhecimento ao longo da vida. Nesse sentido, Locke acreditava que qualquer indivíduo pode ser transformado por uma educação que estimule o pensamento racional. No Brasil contemporâneo, verifica-se a falta de educação financeira dos cidadãos, sobretudo em escolas, uma vez que o sistema educacional pouco ensina sobre elementos fundamentais da dinâmica econômica: planejamento orçamentário e previdência social. Sob tal ótica, é fulcral que medidas sejam tomadas para mitigar a problemática.
Em primeira análise, convém ressaltar a importância de estruturar as finanças, apesar do incentivo ao consumismo. Nesse contexto, segundo Theodor Adorno, filósofo da escola de Frankfurt, as estratégias midiáticas manipulam o comportamento das pessoas. Nessa lógica, não planejar o consumo de maneira conjunta ao orçamento familiar, faz com que os indivíduos fiquem vulneráveis à publicidade e, assim, facilmente estimulados a obter itens que não conseguem pagar. Por conseguinte, nota-se o crescente número de inadimplentes no país, que representam 40% da população adulta, conforme os dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Ora, a instrução monetária é vital para evitar o aumento de negativados persuadidos por propagandas.
Outrossim, não há a discussão efetiva no ambiente escolar sobre a relevância da previdência social para o sustento da lógica financeira. Com base nisso, observa-se a escassez de debates sobre o atual processo de transição demográfica e o envelhecimento populacional e em como isso afeta, de maneira profunda, o sistema previdenciário. Nesse viés, o ensino sobre dinheiro deve estar alinhado à dinâmica social e contribuir para as finanças das atuais e futuras gerações, incentivando investimentos de longo prazo e garantindo a sobrevivência de cidadãos que não podem trabalhar. Em suma, entende-se que educar financeiramente não só auxilia a vida das pessoas, como também mantém a ordem econômica do país.
Dessa maneira, faz-se imprescindível a dissolução dessa conjuntura. Convém, portanto, que o Ministério da Educação, instância máxima da administração dos aspectos educacionais do Brasil, por meio de plataformas virtuais, disponibilize planilhas de planejamento financeiro e ofereça auxilio em como poupar e investir o dinheiro, para que toda a comunidade tenha contato com ferramentas para administrar seus gastos de acordo com o orçamento. Logo, a tela em branco de Locke será preenchida com o conhecimento sobre a importância da organização financial e a “tela dos cidadãos” não será vermelha.