A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 28/09/2020

Para o filósofo brasileiro Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma, sem ela, tampouco, a sociedade muda. Nesse sentido, fica claro que a questão da educação financeira no Brasil, perpassando pela má formação de ensino e descaso das instituições sobre a importância de abordar o assunto, gera graves impactos à economia de longo prazo e corrobora de modo negativo com a desordem financeira social em ascensão do endividamento. Diante disso, torna-se claro que medidas sejam tomadas para reversão de tal óptica.

Primordialmente, é válido ressaltar que a educação financeira é dificultada pela displicência operacional do Estado em promover políticas públicas que visem a conscientização da população. Nesse viés, para o sociólogo iluminista Maquiavel, o homem é capaz de ultrapassar os escrúpulos da moral e da ética para conquistar desejos econômicos e individuais. Hodiernamente, tal pensamento pode ser traduzido para a atual realidade, visto que a negligência de ensino decorre do descaso ético do Poder Público que secundariza pautas educacionais em detrimento de interesses subjetivos. Dessa forma, fica notório que essa má gestão estatal fomenta a falta de ensino e planejamento financeiro.

Em uma segunda análise, deve-se pontuar que a educação permite o manejo correto do dinheiro, e evita que em tempos de crise e desemprego, não haja subsídios para a reestruturação individual na geração do lucro. Entretanto, a dificuldade de superar essa problemática é auxiliada pela falta de diálogo , além de não normalizarem o hábito de dialogarem com os filhos sobre temáticas financeiras. Posto isso, tal modo de educação familiar acaba indo na contramão do pensamento defendido pelo filósofo Michael Foucault, em sua teoria da Normalização, na qual afirma que certos comportamentos e ideais são consideradas naturais, por meio de intensa repetição no cotidiano do indivíduos, como mesadas e poupanças. Dessa maneira, faz-se mister a reformulação da postura familiar diante da problemática.

Sob essa realidade, é imperativo destacar a importância de introduzir a educação financeira no cenário vigente. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, responsável pela formação civil, introduzir nas instituições públicas e privadas cursos informacionais, campanhas educacionais e matérias que contemplem essa forma de ensino de maneira integrada, assim gerando melhor integração e interesse dos alunos e até mesmo do corpo docente escolar. Além disso, urge que as instâncias de ensino ministrem palestras, para pais e alunos, com a finalidade de instruí-los como construir uma educação financeira eficiente no ambiente familiar. Nesse sentido, com o alcance e eficiência dessas ações, a mudança proposta pela máxima Freire poderá ser efetiva.