A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 29/09/2020

“Um dos grandes segredos da sabedoria econômica é saber aquilo que não se sabe”. Essa máxima do economista e filósofo americano John Galbraith demonstra a necessidade de estudo da economia para poder dominá-la de forma plena. De maneira semelhante a isso, a educação financeira tem significativa importância na vida dos cidadãos, englobando tanto a esfera individual como a coletiva e provocando diversos impactos. Mediante essas circunstâncias, torna-se pertinente a análise de tal problemática e sua relevância na sociedade.

A princípio, vale ressaltar a importância na vida cotidiana da educação financeira. Segundo o sociólogo Karl Marx, a sociedade foi construída sobre uma “base econômica” controlada pelos interesses capitalistas, ascendendo socialmente nela somente aqueles que dispunham do capital financeiro. Partindo desse viés, no cenário atual, entender de economia significa deter mecanismos suficientes para dispor de serviços básicos de qualidade, como saúde, educação, alimentação, dentre outros. Dessa forma, direitos considerados essenciais para a vida cidadã são adquiridos em proporções desiguais dependendo do domínio ou não da educação financeira. Assim, entende-se que possuir conhecimento sobre economia é de extrema importância para uma vida digna em uma sociedade caracterizada por Marx como “alienada” e fortemente dependente de riquezas materiais.

Além disso, o meio no qual vive o cidadão também é influenciado pela educação financeira. No início do século XXI, essa problemática esteve presente na Crise Mundial de 2008, a qual teve início com a falência de um influente banco americano em razão de especulações imobiliárias e econômicas descontroladas. Sob essa ótica, descuidos em relação a planejamento monetário podem causar cenários de instabilidade na economia de um país, provocando severas consequências à sociedade global, como inflação, desabastecimento e conflitos diretos ou indiretos envolvendo diferentes nações, conhecidos na economia como “guerras cambiais”. Desse modo, fica claro que ter uma educação financeira é de extrema relevância, à medida que pode mudar o contexto social vivido pelo cidadão.

Destarte, é evidente a importância da educação financeira na vida do cidadão em diversas áreas da vida. Por isso, é mister que, no Brasil, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Economia, implemente projetos de educação monetária desde a mais tenra idade, por meio de diretrizes obrigatórias para as escolas, com a inclusão no quadro escolar de aulas interdisciplinares e práticas sobre manuseio consciente do dinheiro no dia a dia e o impacto causado por ele na sociedade, a fim de construir uma consciência a longo prazo sobre a questão. Assim, seguindo a máxima de Galbraith, será possível desvendar aquilo que ainda não se sabe sobre a sabedoria econômica.