A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 29/09/2020
No filme brasileiro “Até que a sorte nos separe”, são retratadas as consequências da falta de planejamento financeiro de uma família vencedora de um dos prêmios da loteria, o que os leva à falência e exclusão da alta sociedade. Paralelamente, esse episódio não se restringe à ficção, uma vez que a irresponsabilidade financeira caracteriza o cenário de inúmeras camadas sociais, na atualidade. Nesse contexto, é imprescindível que o hábito de gerenciar o próprio dinheiro seja incorporado ao cotidiano da população, a fim de que circunstâncias como essa possam ser evitadas.
No cenário brasileiro, por exemplo, a falta de organização e logística tendem a acentuar as dificuldades econômicas enfrentadas por muitas famílias. Segundo dados do SPC Brasil, oito em cada dez brasileiros não tem controle total sobre suas suas despesas pessoais, o que gerou em 2018, cerca de 62,6 milhões de cidadãos com contas atrasadas ou CPF negativado. Sequencialmente, a ausência de um critério efetivo de organização muitas vezes os impossibilita de poupar um centavo sequer para o investimento em setores básicos, como alimentação e moradia, agravando, assim, os índices de pobreza nacionais. Segundo o professor Theodore Schultz, países que investem mais em educação financeira tendem a apresentar uma população mais rica. Sendo assim, de modo a estabelecer unanimidade em melhorias, deve haver uma correlação entre reparos governamentais e comprometimento social.
À vista disso, a ausência de controle financeiro deve-se, frequentemente, a dois fatores interdependentes. O primeiro é conhecido como imediatismo, manifestado na necessidade de adquirir determinados produtos e falta de preocupação com o amanhã, que levam o indivíduo ao consumo excessivo sem se importar com as consequências posteriores do ato. O segundo é conhecido como desequilíbrio, no qual os cidadãos extrapolam seus limites financeiros e perdem o controle sobre o quanto consomem, gerando crescentes dívidas e desestruturação econômica. Logo, a responsabilidade que cabe a cada indivíduo é o exercício do autocontrole.
Infere-se, portanto, a necessidade de reverter esse cenário. O Estado, então, através de ações do Ministério da Saúde, deve investir fortemente na formação educacional dos jovens cidadãos, trabalhando, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio, a abordagem da educação financeira, por meio de atividades interdisciplinares que forneçam o conhecimento básico sobre como articular o próprio dinheiro. Desse modo, será possível garantir o conhecimento que promova hábitos responsáveis e distancie indivíduos de episódios como o de “Até que a sorte nos separe”.