A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 29/09/2020

A “Sociedade de espetáculo”, conceito desenvolvido pelo escritor francês Guy Debord, exemplifica perfeitamente a atual sociedade, em que as pessoas querem manter um estilo de vida que não condiz com a renda e acabam se endividando de maneira exacerbada. Desse modo, o consumismo elevado, além da não educação financeira de jovens se tornaram dois agravantes para esse cenário de inadimplência.

Embora Adam Smith, teórico liberal, tenha idealizado uma sociedade em que o capital traria o progresso, o que se nota é uma realidade em que o consumismo se tornou o padrão comportamental. A ausência de planejamento financeiro que busque o desenvolvimento do indivíduo se tornou um grande aliado para as pessoas que não conseguem manter o controle na hora dos gastos, resultando em cidadãos cada vez mais endividados e sem nenhuma perspectiva para colaboração do desenvolvimento econômico do país. Prova disso, dados expostos pelo IBGE mostram que 68% das famílias brasileiras gastam mais do que ganham. Demonstrando, desse modo, que a escassez da educação financeira agrava ainda mais a realidade da população brasileira.

Ademais, em virtude da ausência desse tipo de educação, a sociedade perde potencialidades empreendedoras de jovens. A não organização financeira dos garotos acarretará em profissionais frustrados, sem um devido preparo para lidar com a sociedade capitalista (em que é exigida máxima cooperação dos integrantes da sociedade, principalmente de empresários), além de impedir o desenvolvimento de novos empreendedores, que por não terem acesso a informação necessária, abandonam ideias brilhantes que poderiam revolucionar o mercado, fato esse, exposto pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em que mais da metade dos jovens brasileiros de 15 anos não têm conhecimentos básicos de como lidar com o dinheiro. Demonstrando assim, a extrema importância da educação financeira na sociedade.

Fazem-se necessárias, portanto, medidas capazes de aumentar o conhecimento de jovens e adultos sobre a educação financeira. O Governo Federal poderia disponibilizar verbas através do LOA- Lei Orçamentaria Anual, para escolas e universidades, implantando feiras de ensino sobre a importância da organização financeira, bem como, palestras gratuitas com especialistas, nos centros das cidades para toda a população (principalmente da faixa etária dos 15-35 anos) demonstrando como ensinar os filhos e os parentes por meio de mesadas e cofrinhos, visando um melhor engajamento dos cidadãos no que se diz respeito a educação financeira no Brasil.