A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 29/09/2020

Promulgada pela Organização das Nações Unidas, em 1946, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todo indivíduo o direito à educação e ao bem-estar. Em contrapartida, o desinteresse estatal em proporcionar o acesso à educação financeira impossibilita que os cidadãos brasileiros desfrutem desse direito de forma universal na prática. Nesse viés, não há dúvidas de que a falta de conhecimento sobre a administração das finanças é um desafio no Brasil e reconhecer a importância de proporcionar essas informações é fundamental para que uma sociedade integrada seja alcançada.

Em primeiro caso, a displicência governamental perante o investimento na educação é uma das principais barreiras que dificultam o acesso à educação econômica. De acordo com o Fundo Monetário Internacional, o Brasil ocupa o ranking das 10 maiores economias mundiais, além de ser a segunda maior do continente americano. Em contrapartida, o investimento na educação não possui toda essa relevância, impactando diretamente na escassez de conhecimento sobre educação financeira. Diante do exposto, a falta de aplicação capital nesse setor resulta na grande quantidade de cidadãos imprudentes, podendo ser observado no aumento do número de brasileiros com dívidas atrasadas e CPF (Cadastro de Pessoa Física) negativado, além de contribuir para a geração de jovens que, ao adentrar o mercado de trabalho, não entendem a importância de investir ou poupar para realizações posteriores.

Somado à isso, a falta de incentivo ao governo por parte da população dificulta na inserção do ensino desse conhecimento no cotidiano. Conforme Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais, políticas e econômicas é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, a falta de interesse da população em reivindicar seus direitos prejudica o acesso ao conhecimento sobre como gerenciar as finanças, já que a pressão social é uma das principais ferramentas para a promoção de direitos em uma política democrática. Dessa forma, a exigência da população é de fundamental  importância para a realização de mudanças nessa área.

Infere-se, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas para garantir a educação financeira em solo brasiliano. Desta forma, é imprescindível que o Ministério da Educação garanta o acesso ao conhecimento sobre a administração do dinheiro desde o ensino fundamental nas escolas, implementando esse tema na Base Nacional Comum Curricular, ensinando ao indivíduo a lidar com seus ganhos monetários desde a juventude. A partir dessas ações, espera-se contribuir para a redução de adultos inadimplentes no futuro.