A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 02/10/2020
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os cidadãos o direito à educação. No entanto, na conjuntura contemporânea, ao se analisar o cenário financeiro e o aumento gradual de indivíduos endividados, percebe-se que esse princípio constitucional não é efetivo na prática, em virtude dos mínimos esforços das esferas governamentais em promover nas instituições de ensino básico conteúdos voltados para a educação monetária. Nesse contexto ,urge analisar como a negligência estatal e a base familiar impulsionam tal problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que o endividamento dos indivíduos está intrinsecamente relacionado à ineficácia das políticas públicas direcionadas para a educação financeira no âmbito social. De acordo com uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo,65% dos brasileiros estão endividados .Nesse viés, em meio a essa conjuntura, nota-se falhas no ensino público, haja vista que as escolas priorizam uma educação tradicional focada em preparar os indivíduos para vestibulares e não proporcionam aos discentes, desde as séries iniciais, um ensino voltado a orientação de finanças. Diante disso, muitos alunos concluem o ensino básico e não sabem administrar o próprio dinheiro e, consequentemente, ficam suscetíveis a contraírem dívidas na fase adulta.
Outrossim, vale salientar, ainda, que a falta de instrução familiar corrobora para a permanência desse cenário de inadimplência pública. Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, apenas 25% dos jovens de 18 a 30 anos fazem controle financeiro. Nessa perspectiva, muitas famílias não possuem conhecimento suficiente sobre como planejar e administrar as finanças, visto que esse assunto torna-se secundário nas discussões e pouco debatido no seio familiar. Assim, uma parcela significativa do público infato-juvenil por não terem tido direção familiar acerca do controle monetário adquirem hábitos que prejudicam as suas relações econômicas e, posteriormente, o seu desenvolvimento pessoal .Por conseguinte, a manutenção desse comportamento social é normalizado e reproduzidos para as próximas gerações.
Infere-se,portanto,que é imprescindível adotar medidas para promover a educação financeira no âmbito social.Logo, cabe ao Ministério da Educação - ramo do Estado responsável pela formação civil - proporcionar nas escolas, desde o ensino fundamental,palestras e atividades lúdicas que visem orientar os discentes acerca da importância do planejamento financeiro consciente .Isso deve ser feito por meio de profissionais capacitados ,como contadores e administradores, com o fito de tornar os indivíduos mais preparados para se desenvolverem socioeconomicamente.