A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 04/10/2020

O consumo é o único destino de toda produção. A máxima defendida por Adam Smith reflete sobre a configuração adotada no liberalismo econômico em que tudo, obrigatoriamente, se comercializa. No entanto, dada a ampla oferta de produtos e serviços, o gasto desregrado e sem critério pode comprometer o orçamento mensal do brasileiro. Com efeito, para que o cidadão desenvolva sua plena capacidade no controle do consumo, como expõe o “Pai do Liberalismo”, hão de se combater os dois principais percalços dessa questão: a discreta orientação familiar e o marketing digital.

Em primeiro plano, reduzido preparo do cidadão no ambiente familiar para lidar com as despesas mensais é uma das principais causas para a inadimplência financeira. A esse respeito, o pensador Mário Cortela defende que educar é tarefa da família. Por conseguinte, a juventude brasileira, na contemporaneidade, apresenta um suporte parental omisso na educação econômica, visto que os pais pouco orientam sobre a importância de gastar o necessário, manter as contas em dia e não se comprometer com itens além do planejamento. Isso, fatidicamente, é um desastre para a economia nacional, pois o elevado índice de inadimplência, principalmente entre os jovens, conforme os dados apresentados pelo site G1, é nocivo para o desenvolvimento do país. Assim, a negligência parental configura-se como um grave problema financeiro.

De outra parte, a publicidade coercitiva figura com um outro desafio dessa questão. Isso ocorre, decerto, por conta do pensamento do filósofo Michel Foucault: toda linguagem exerce sobre os indivíduos um fenômeno denominado de “Controle Simbólico”. Sob tal ótica, as propagandas publicitárias - instrumentos de persuasão - instigam nas pessoas a ilusória necessidade de possuir futilidades que só servem para demonstrar posse e poder capital. É o que ocorre com os celulares, por exemplo, os quais raramente disponibilizam configurações novas, mas sua aparência atual reflete o status do cidadão que o possui. Lê-se, pois, como grave, diante das danosas consequências à vida financeira do indivíduo, decorrentes de tal comportamento social, a ostentação.

Impende, portanto, apresentar caminhos para a educação financeira dos cidadãos. Para tanto, as escolas - instituições responsáveis pela formação cidadã -, durante o ensino médio, deverão promover uma campanha nacional chamada: “Educação Financeira Juvenil”, ministrada por economistas, em que pais e alunos serão informados sobre a importância do planejamento das finanças, com o propósito de tornar a juventude apta a gerir a sua economia. Além disso, conscientizar sobre os malefícios de ceder aos impulsos de comprar itens mercadológicos para parecer atual, e acabar endividado. Feito isso, o pensamento de Smith será exercido de forma criteriosa pelos brasileiros.