A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 14/10/2020
Crises econômicas como a ocorrida em 1929, A Grande Depressão, são marcas da incerteza vivenciada no sistema capitalista de produção. Esses eventos, ainda que raros, são prova de que o cidadão deve receber educação financeira suficiente para ser capaz de planejar seu panorama financeiro. No entanto, no Brasil, o preparo para lidar com questões monetárias é insuficiente. Nesse contexto, há importantes fatores a serem considerados pela sociedade, como a insuficiência da educação como um todo e o interesse capitalista do setor financeiro.
Primeiramente, a insuficiência na abordagem de assuntos econômicos no ambiente escolar é prejudicial ao cidadão. Segundo o educador brasileiro Paulo Freire, a educação oferecida no Brasil é muito conteudista, o que não gera senso crítico no nos alunos. Nesse sentido, o foco demasiado em assuntos teóricos no cotidiano educacional atrapalha o desenvolvimento de habilidades necessárias no cotidiano extraescolar, como o controle financeiro entre ganhos e gastos. Consequentemente, em longo prazo, cidadãos formalmente educados se endividam e tomam decisões financeiras inadequadas.
Além disso, a mercantilização do crédito gera interesse no endividamento da população mais pobre. Segundo o cientista político alemão Karl Marx, as sociedades se organizam de modo a consolidar os interesses da classe economicamente dominante. Nesse viés, a presença de limites de crédito na vida de pessoas de baixa renda e pouco preparo para questões financeiras é interessante para bancos e financeiras que lucram com as dívidas da população, já que cobram juros por atraso e multas. Por conseguinte, a ignorância monetária da população é lucrativa para grandes empresas do setor, o que dá vantagem para a manutenção da situação atual.
Portanto, medidas são necessárias para alterar a situação atual. Para isso, o Ministério da Educação deve implementar um plano de ensino financeiro nas escolas, por meio da realização de palestras mensais contando com especialistas em finanças pessoais e administração, como os profissionais do SEBRAE, com o objetivo de gerar cidadãos preparados para a vida financeira da atualidade. Ademais, a mídia, enquanto veículo de informação para grande parte da população brasileira, deve instruir sobre ofertas de crédito para as classes menos favorecidas, através de ficções engajadas, como novelas e minisséries, que retratem os perigos de empréstimos e cartões de crédito sem consciência, o que traria a pauta da responsabilidade financeira para toda a população.