A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 28/10/2020

A produção brasileira “Até que a Sorte nos Separe” retrata a história de Tino, um bilionário excêntrico que perde toda sua fortuna graças à má gestão de seus patrimônios. Fora das telas, o longa representa a realidade de muitos cidadãos que ainda desconhecem a importância da educação financeira em seu cotidiano. Assim, é necessário compreender como a cultura nacional reflete no contexto vigente, bem como as consequências da falta desse conhecimento para o indivíduo.

A princípio, é importante ressaltar a maneira pela qual as bases históricas influenciam tal postura. A sociedade brasileira, por ter sido fundada dentro da ideologia capitalista, que por sua vez tem o consumismo como pilar, cria indivíduos compulsivos e impulsivos. Nesse sentido, é indubitável que a falta de controle financeiro, que se expressa tanto na esfera pública como na sociedade, a exemplo dos exorbitantes gastos governamentais durante o período do regime militar - os quais geraram o endividamento externo do país - e o crescimento do número de inadimplentes, demonstra o descuido das finanças em diferentes camadas. Desse modo, elucida-se a ideia de que a ausência organizacional não se restringe somente a massa populacional e está intrínseca ao cerne brasileiro.

Ademais, devem ser pontuados os impactos desse estilo de vida para com os sujeitos. A esse respeito, uma pessoa que não sabe se planejar financeiramente tem sua formação e seu lazer prejudicado, além da possibilidade de desenvolver doenças psicológicas causadas pelo desespero e frustração, como ansiedade e depressão. Nesse viés, vale destacar que de acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, CNC, 66% da população encontra-se endividada, ou seja, grande parte da sociedade vive um contexto de grande pressão e problema financeiro, o que corrobora o pensamento de fato social de Durkheim, o qual afirma que certos hábitos seguem um padrão em uma sociedade. Logo, ao ter em vista o cenário de endividamento gradual, é imprescindível a tomada de mudanças no comportamento social quanto ao gerenciamento do dinheiro.

Diante do exposto, é evidente que a questão da educação financeira no Brasil é um entrave que precisa ser solucionado. Desse modo, cabe ao Governo Federal – entidade responsável pela manutenção das leis -, por intermédio do Ministério da Cidadania, criar programas de ensino online gratuitos sobre conhecimentos basais de controle de finanças, para que se possa fomentar uma sociedade mais instruída e organizada financeiramente, com o fito de reduzir os números de inadimplentes vigentes. Com tais medidas, será possível mitigar situações que vão ao encontro da história de Tino.