A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 30/10/2020
Na Segunda Revolução Industrial começaram a ser fabricados diversos tipos de produtos, o que levou as pessoas a consumirem mais. Entretanto, no Brasil, o crescimento do capitalismo e consumo não foi acompanhado pela educação financeira dos cidadãos. Nesse viés, ressalta-se, hodiernamente no Brasil, que a sociedade falha em debater o assunto com sua devida importância. Esse imbróglio é reforçado pela ausência de diálogo nas famílias e escolas e causa problemas como inadimplência.
Em primeiro lugar, é necessário abordar a falta de informações quanto à educação financeira em diversos setores da sociedade. Consoante à Teoria do Habitus, de Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Por essa ótica, percebe-se que a tese do sociólogo francês se aplica à discussão sobre finanças entre a população. Desta forma, as famílias reproduzem o hábito de gastar sem planejamento e de maneira inconsequente, o que é compartilhado às próximas gerações, perpetuando tal comportamento. Ademais, tendo em vista a deficiência do diálogo em âmbito familiar, a escola poderia ser um ambiente propício para fomentar tais ensinamentos. Entretanto, o assunto não está presente no ensino, o que gera uma lacuna no conhecimento sobre finanças entre estudantes. É perceptível, portanto, que jovens com conhecimentos escassos sobre economia e contabilidade serão, no futuro, adultos endividados.
Outrossim, destacam-se as consequências causadas pela educação financeira insuficiente. De acordo com o economista americano John Kenneth, nada impõe limites tão rígidos à liberdade de uma pessoa quanto a falta de dinheiro. Sendo assim, percebe-se que pessoas inadimplentes que se encontram nesta situação devido à falta de formação pecuniária são limitadas de diversas formas. Uma delas são os parcelamentos de dívidas ao longo de anos, situação que leva a uma condição monetária ainda pior. Desta maneira, famílias inteiras podem ser prejudicadas. Esta situação fica evidente, por exemplo, ao observar-se a situação de uma mãe solteira que, após ficar muito endividada, perde a estabilidade econômica e coloca em risco a alimentação e o conforto de sua família.
Destarte, é mister que medidas sejam tomadas para melhorar a educação financeira entre a população. O Estado, por meio do Ministério da Educação, deve criar um amplo projeto de formação pecuniária entre jovens, visando fomentar a discussão entre os jovens e sua família, orientar sobre investimentos, poupança de dinheiro e, além disso, princípios de contabilidade. Isso pode ser feito com a criação de palestras, oficinas e distribuição de cartilhas entre os estudantes. Com essas medidas sendo tomadas, o Brasil teria, finalmente, cidadãos que sabem cuidar de seu dinheiro de maneira consciente e aplicada.