A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 10/11/2020

No filme brasileiro “Até que a Sorte nos Separe” o personagem Tino ganha na loteria e se torna milionário. Entretanto, a falta de instrução de como lidar com o dinheiro e a adoção de uma vida de ostentação levam o protagonista à falência. Nesse sentido, a obra assemelha-se com a realidade brasileira, haja vista a ausência da educação financeira repercutir, comumente, em complicações econômicas aos cidadãos. Assim, é relevante destacar as falhas no ensino aliadas à vulnerabilidade societária como determinantes na formação de um panorama de risco.

É importante salientar a lacuna educacional nesse âmbito como fator problemático. Sob esse viés, consoante ao célebre filósofo Habermas, para que uma norma seja cumprida ela precisa ser conhecida, uma vez que proporciona aos indivíduos os meios para sua efetivação. Ou seja, a inexistência de ensinamentos sobre finanças na base escolar tem como reflexo uma população que tende a apresentar problemas em lidar com o dinheiro e, por conseguinte, com maior chance de endividamento. Logo, é notória a proficuidade de ações educativas que possibilitem um melhor manejo do setor financeiro , de modo a promover qualidade de vida no tecido social.

Deve-se ressaltar, outrossim, a fragilidade crítica como decisiva na construção de cidadãos suscetíveis à cultura do consumo. Nesse ínterim, os filósofos da Escola de Frankfurt identificaram a Indústria Cultural como agente que massifica ideologias e aliena as massas, posto que a falta de questionamento sobre os produtos consumidos corrobora com o fortalecimento do hiperconsumo. De fato, a baixa criticidade de grande parte dos brasileiros fomenta o consumo excessivo, o qual costuma ultrapassar o poder de compra das pessoas, fazendo-as recorrer ao uso indevido dos cartões de crédito. Dessarte, urge a transmissão de conhecimentos visando a quebra desse cículo vicioso.

Percebe-se, portanto, a importância de uma abordagem educativa no tocante à vida econômica dos brasilienses. Diante disso, é cabível às Escolas - como agente formador de valores éticos e morais nos indivíduos - realizar uma alteração na Base Nacional Comum Curricular. Essa ação deve ocorrer por meio da inserção da economia como matéria obrigatória nas instituições escolares, com aulas sobre organização econômica, sob o fito de formar sujeitos com finanças estáveis. Paralelamente, as mídias televisivas devem veicular propagandas sobre essa temática, com o objetivo de alcançar e, por sua vez, elucidar um maior público. Por fim, será possível tornar a trama fictícia distante do contexto brasílico vigente.