A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 14/11/2020

A partir da crise financeira mundial de 1929, diversos povos passaram por profundas transformações, não só sociais como, principalmente, econômicas. Embora a sociedade brasileira apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente na questão da importância da educação financeira na vida do cidadão. Dessa forma, observa-se que a demanda  por conteúdos de investimentos econômicos refletem um cenário desafiador, seja em virtude da falta de educação financeira, seja pelo consumismo exacerbado da população.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a falta de educação financeira como impulsionador do impasse. Nesse sentido, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se a população não têm acesso à informação séria sobre conteúdos básicos de como lidar com o dinheiro e gerir melhor suas finanças, sua visão será limitada, o que contribui para a perpetuação do quadro de inconsciência financeira coletiva em que o Brasil se encontra.

Vale ressaltar, também, que o alto índice de inadimplentes, como evidencia dados do IBGE, em  que cerca de 35% da população adulta residente no país possui o nome sujo, tem como um dos fatores preponderantes o consumo exacerbado da população. Segundo Zygmunt Bauman, a liquidez da sociedade moderna se pauta no consumismo. De acordo com a perspectiva do sociólogo, o gasto exagerado que caracteriza a cultura atual configura-se como um grave problema que atinge as diversas áreas da ação humana. Tal consumismo está presente no cotidiano de toda a sociedade, e gera, como consequência, a dificuldade de intervir em um problema como esse sem agir em sua base sociocultural.

Torna-se imperativo, portanto, desenvolver medidas que ajam sobre a problemática. Para esse fim, é preciso que o Tribunal de Contas da União, em parceria com Ministério da Educação, criem políticas públicas para fomentar o ensino de educação financeira no Brasil, por intermédio da destinação de verbas para as escolas públicas e privadas, com o objetivo de tornar os alunos mais conscientes em relação às próprias finanças . Tais políticas públicas devem refletir, com efeito, na capacitação de professores e funcionários, bem como na construção de uma nova geração de indivíduos mais equilibrados no que tange ao âmbito monetário  Em suma, é preciso que se aja sobre o empecilho, pois, como defendeu Simone de Bevouir:‘‘Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos’’.