A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 17/11/2020

Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o valor que a educação financeira tem, no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela facilidade exacerbada ao crédito que ilude o consumidor a gastar até se endividar, seja pela inexistência do ensino de economia doméstica básica nos ciclos fundamental e médio de escolaridade.

É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a exacerbada facilidade ao crédito rompe essa harmonia, haja vista que, depois que inúmeras linhas de crédito consignado foram implantadas, além da multiplicação descabida de casas financeiras que fazem empréstimos até para indivíduos inadimplentes, o índice de endividamento chegou a 25% da população adulta, segundo pesquisa do Serasa Experian.

Outrossim, destaca-se a falta de matérias escolares como economia doméstica como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que a inexistência do ensino de economia às crianças e jovens leva a adultos alienados quanto a suas responsabilidades financeiras, visto que 77% dos brasileiros com dívidas no cartão de crédito nunca conseguiram se desvincilhar das mesmas por não saberem gerenciar corretamente os seus gastos em conformidade com seus ganhos, segundo matéria da revista Veja em 2013.

É evidente, portanto, que faz-se necessário valorizar a educação financeira no país. Destarte, o Ministério da Educação deve fomentar palestras nas escolas com economistas e “coachings” da área financeira, promovendo a desmistificação do ensino de economia já nas tenras idades. Por meio dessa medida é possível ensinar uma nova realidade de respeito ao dinheiro e uso consciente do mesmo, visando o fim do endividamento desnecessário e do analfabetismo financeiro, pois, como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo.