A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 21/11/2020

A Constituição Federal Brasileira, promulgada em 1988, promete, em seu artigo sexto, uma série de direitos sociais. Dentre eles, está o direito à educação, juntamente com todos os elementos que o permeiam. No entanto, apesar de tal garantia, o que se percebe, na sociedade brasileira atual, é a não aplicação desse direito na prática, visto que ainda não há reconhecimento acerca da importância da educação financeira na vida dos cidadãos, fazendo com que esse seja um problema que persiste sem solução à custa da falta de estrutura educacional e da sociedade inconsciente.

Deve-se pontuar, de início, a lacuna educacional presente no país, o que caracteriza como um complexo catalisador do problema. Conforme o educador e filósofo Paulo Freire, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Sobre isso, o autor afirma que a educação é uma pila indispensável na base da formação social, uma vez que ela tem uma função de instruir os indivíduos sobre o uso correto de se utilizar o dinheiro, bem como economizar para evitar possíveis problemas posteriormente, como endividamentos e consumismo em excesso por falta de informação. Logo, as instituições pedagógicas têm papel primordial, não somente no ensino de habilidades cognitivas, mas também na formação de cidadãos com experiência a respeito de seu patrimônio.

Ademais, a ausência de consciência é também, um fator relevante em relação à situação. Nessa lógica, o filósofo Karl Marx teceu diversas opiniões em suas obras sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Nessa perspectiva, quando se trata de não aprender educação financeira no âmbito familiar, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, já que o Estado não promove a conscientização social acerca do debate entre pais e filhos da importância do uso correto do dinheiro, uma vez que as pessoas se tornam mais propensas à destinar uma melhor utilidade para seu capital, bem como serão mais conscientes para planejar e eleger prioridades no momento do consumo.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para a solução da problemática. Dessa maneira, compete ao Ministério da Educação propor ao Congresso Nacional uma reforma escolar, por meio de um projeto educacional que transforma a percepção e o entendimento dos jovens sobre assuntos, como limitar o uso exagerado do dinheiro e, por consequência, evitar gastar mais do que o valor embolsado. Tal reforma deve conter uma mudança na série curricular, englobando à matéria de educação financeira como obrigatória tanto no ensino fundamental como no médio, para preparar o aluno, não somente para universidade, mas também para vida em sociedade.