A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 03/12/2020

Na obra cinematográfica “O menino que descobriu o vento”, produzida pela plataforma de streaming Netflix, é retratada a história de um garoto que tem sua vida transformada pela educação, na qual utiliza de conhecimentos de livros para mudar sua realidade. Fora da ficção, a realidade brasileira se faz por necessária de sapiência para uma evolução social, tendo em vista que brasileiros estão cada vez mais limitados a uma vida de dívidas por conta da falta de uma educação financeira eficiente.

Em primeira análise, vale destacar a realidade experimentada pelos brasileiros ausentes de conhecimentos básicos financeiros. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a sociedade capitalista permite uma liberdade ilusória. Seguindo essa máxima, fica notório que pessoas desprovidas de sapiência financeira não poderão usufruir dos prazeres matérias do consumo. Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 4 em cada 10 adultos residentes em território brasileiro fecharam 2018 com dívidas ativas, ou seja, possuíam uma liberdade ilusória. Logo, a mesma sociedade capitalista que “educa” seus indivíduos para serem consumidores vorazes é a mesma sociedade que esquece de criar indivíduos capazes financeiramente de bancarem a própria liberdade.

Ademais, outro ponto a se analisar é o papel da educação como superador do impasse. Consoante ao filósofo prussiano Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. De acordo com tal ótica, faz-se imprescindível a inclusão da educação monetária na vida dos brasileiros, como forma de evolução social. O Ministério da Educação (MEC), por meio de portaria, adicionou o conteúdo de educação financeira na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que em teoria, seriam os assuntos obrigatórios a serem abordados em todas as salas de aula espalhadas pelo Brasil. É o melhor caminho para ser trilhado, tendo em vista que a intervenção em jovens por meio da educação é capaz de mudar um comportamento geracional, resultando numa família consciente.

Fica evidente, portanto, que medidas são necessárias para difundir a educação financeira no Brasil. Para tanto, urge que escolas públicas e privadas, formadoras de cidadãos providos de sapiência social, efetivem o “currículo” proposto pelo MEC, adicionando a educação financeira como matéria obrigatória. Por meio de palestras e aulas focadas no assunto, os estudantes poderão ter acesso ao conhecimento básico de finanças, repassando-o assim para seus familiares, que poderão ter uma melhor gerência de seus recursos. Somente assim, a sociedade brasileira poderá se livrar de dívidas e evoluir financeiramente por meio do conhecimento, como o garoto da obra “O menino que descobriu o vento”.