A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 26/11/2020
Segundo Platão, “O importante não é viver, mas viver bem", logo, para o filósofo, a qualidade de vida é tão importante que ultrapassa o valor da própria existência. Entretanto, no Brasil, milhares de pessoas têm seu bem-estar afetado em decorrência da falta de educação financeira ao longo de sua vida, isto é, torna-se cada vez mais frequente o número de indivíduos endividados. Isso ocorre não apenas pelo consumismo exagerado na geração contemporânea, como também pela falta de informação que os indivíduos possuem sobre o assunto.
Primeiramente, é importante ressaltar que o consumismo exagerado demonstra a ausência de planejamento financeiro na vida das pessoas. Isto é, o sociólogo Zygmunt Bauman, ao pronunciar a frase “consumo, logo existo”, demonstrou que, na sociedade pós moderna, a condição indispensável à vida é o consumo, logo, consomem não por necessidade, mas sim para satisfazer um desejo momentâneo. Não é atoa que segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 41% da população adulta do país terminaram 2018 com alguma conta atrasada e com o CPF negativado. Este fato exemplifica como grande parte da população não tem consciência sobre suas próprias finanças. Concomitantemente a isso, a falta de informação que os indivíduos possuem sobre o assunto, influencia a problemática em questão. É fato que disciplinas sobre educação financeira foram introduzidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apenas em 2018, logo, crianças e adolescentes crescem aprendendo matemática, mas não possuem conhecimento sobre como administrar suas economias. Segundo o filósofo John Locke e sua teoria sobre a “tábula rasa”, o ser humano é como uma tela em branco o qual é preenchido por experiências e influencias até a fase adulta. Nesse contexto, pode-se dizer que conhecimentos adquiridos quando jovem, tendem a se propagar durante a fase adulta.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para que o planejamento financeiro faça parte do cotidiano da população. Logo, é necessário que o Ministério da Educação (MEC) não apenas inclua o tema na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas também torne os profissionais da área qualificados, através de cursos de complementação pedagógica. A fim de tonar professores capazes de lidar com o assunto de forma didática, ensinando modos de investimento e planejamento, assim, auxiliando na mudança do comportamento financeiro do individuo. Dessa forma, o hábito de cuidar do próprio dinheiro será incorporado durante a vida, diminuindo a índice de pessoas endividadas.