A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 01/12/2020
Desde o Iluminismo, movimento do século XVIII, a humanidade aprendeu - ou deveria ter aprendido - que uma sociedade só evolui quando há uma ascensão social coexistente entre todos os indivíduos. Entretanto, tais ideais da ilustração não se aplicam na prática, haja vista o precário investimento em educação financeira, tida como propulsora da cidadania, existente no contexto sociocultural brasileiro , seja por questões legislativas, seja por questões sociais.
Em primeiro lugar, vale saliente a questão constitucional como agravante do revés. De acordo com o filósofo inglês John Locke, existe um contrato social entre indivíduo e Estado que rege a vida em comunidade. Em concomitância com esse raciocínio, uma maneira como o Poder Executivo incita a planificação financeira rompe tal contrato, uma vez que, embora esteja na constituição que o Estado é responsável pela educação do povo, cortes monetários realizados no programa ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira) o aprendizado, nesse meio, inacessível para o contingente populacional de baixa renda. Segundo o jornal Folha de São Paulo, a redução pela metade da verba afeta majoritariamente a população carente. Assim, evidencia-se a má gestão pública na aplicação de leis pré-existentes.
Outrossim, destacam-se os aspectos sociais gerados pela falta de cidadania decorrente do pouco incentivo ao planejamento financeiro. Consoante Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensar. De maneira análoga, nota-se que a realidade da população pobre enquadra-se na teoria do sociólogo. Nesse sentido, uma geração ao crescer em um país no qual o subsídio encaminhado à educação financeira é pequeno, tende a internalizar essa realidade como natural e imutável. Logo, perpetua-se um padrão cíclico de segregação social.
Infere-se, portanto, a necessidade do debate acerca da marginalização decorrente do baixo investimento em educação financeira. O Estado, por meio do Governo Federal, deve fomentar a criação de emendas constitucionais que foquem na fiscalização das leis de repasse de verbas à educação em vigor, a fim de que seja assegurado o cumprimento das normas atuais. A mídias, por meio das telenovelas, pode denunciar os impactos sociais que o pouco investimento na educação exerce na população de baixa renda, para que seja rompido o paradigma de marginalização decorrente do conhecimento de outrem. Assim, pode-se resgatar os ideais iluministas que foram base para a formação da sociedade ocidental.