A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 16/01/2021
A série mexicana “Control Z” tem o papel social de gerar reflexões sobre assuntos importantes e pouco debatidos na sociedade, como o uso consciente do dinheiro. Em vários episódios são retratadas cenas em que a Nathalia, uma das personagens principal, não cuida direito do seu próprio dinheiro e acaba contraindo altas dividas. Fora da ficção, casos em que os indivíduos contraem dividas por não saberem administrar de forma correta o dinheiro que recebem é uma realidade no Brasil, haja vista o consumo inconsciente e a falta do ensino financeiro nas escolas. Logo é necessário analisar a importância da educação financeira na vida dos cidadãos.
De início, um dos problemas destacados é a compra demasiada e sem necessidade de produtos supérfluos. Dessa forma, segundo o conceito “Habitus” do sociólogo Pierre Bordieu, o ser humano incorpora para si e reproduz ideias e padrões de comportamento observados frequentemente no corpo social. Desse modo, é inegável que os indivíduos compram, além do que é necessário, apenas pelo desejo compulsório de consumo despertados pelas influencias do meio em que vivem, e não pela real necessidade de ter o produto. Como consequência disso, assim como é retratado na série “Control Z”, grande parte da população acaba criando dividas catastróficas que não conseguem quitar. Prova disso, são dados divulgados pelo SPC, em que afirma que cerca de 63 milhões de brasileiros tiveram o CPF negativado no ano de 2018.
Além disso, é importante salientar que o Governo se torna negligente quando não promove a educação financeira em âmbito nacional. Nesse sentido, conforme a teoria contratualista de Rousseau, é dever do Estado assegurar os interesses que objetivam o bem maior para a sociedade, uma vez que a legitimação do seu poder depende da vontade do povo. Entretanto, a expansão de políticas neoliberais não busca priorizar os aspectos sociais, como a criação de medidas que visem ensinar aos jovens a administrar o dinheiro que por eles é recebido, como inclusão da matéria de educação financeira nas escolas. Como resultado da negligencia estatal, muitos adolescentes, por falta de instruções, se tornam adultos inadimplentes. Prova disso são informações divulgadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, em que afirma que mais de 50% dos jovens são leigos sobre os conhecimentos básicos de como lidar com o dinheiro no cotidiano.
Portanto medidas são necessárias para amenizar os problemas abordados. Diante disso, cabe ao Ministério da Educação, criar medidas voltadas para o ensino administrativo do dinheiro, por meio da inclusão da matéria de educação monetário nas escolas, mediante palestras feitas por profissionais do ramo financeiro, com a finalidade de conscientizar os jovens a não se tornarem adultos devedores.