A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 18/12/2020
Como dito pelo filósofo grego Epicteto, que foi escravo em Roma, “só a educação liberta”. Sob essa perpectiva, no contexto financeiro, só a educação dá condições de administrar as finanças pessoais, interpretar informações e tomar as melhores decisões para o curto, médio e longo prazo que conduzirão ao bem estar. Todavia, a realidade brasileira apresenta desafios para proporcionar essa liberdade aos indivíduos, como a negligência governamental e a escassa abordagem do assunto.
Primeiramente, vale destacar que a displicência estatal contribui para a falta de organização financeira dos cidadãos. Embora a Consitutição Cidadã incube ao Estado o dever de promover e incentivar a educação, na prática tal pressuposto não é devidamente cumprido, haja vista dados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), os quais apontam que o Brasil mantém uma tendência de estagnação no ranking mundial. Dessa forma, é indubitável que a educação básica é o maior entrave, pois, segundo o fundador da Escola de Negócios, Hudson Bessa, educação financeira trata de educar financeiramente pessoas educadas. Nesse sentido, é imprescindível cobrar das diferentes esferas governamentais incremento à qualidade do ensino, pois essa má atuação do Poder Público prejudica a sociedade como um todo.
Ademais, é importante ressaltar que a falta de exposição dessa problemática colabora com o descaso na gestão individual do dinheiro. Sob essa ótica, o sociólogo alemão Jurgen Habermas traz uma contribuição ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. No entanto, essa temática é pouca discutida nas escolas e nas mídias, de modo que na ausência de informações cruciais sobre finanças a população fica sem a compreensão de onde buscar ajuda e, por conseguinte, faz escolhas erradas, além de se endividar. Por isso, é fulcral trazer à pauta esse tema e debatê-lo , a fim de auxiliar a todos.
Depreende-se, portanto, que é responsabilidade do Governo Federal assegurar à educação para o resguardo dos direitos constitucionais. Logo, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com a Secretária de Comunicação, desenvolver conteúdos publicitários para veiculação nas mídias de grande acesso, por meio de transmissões ao vivo, palestras e publicações nas redes sociais. As palestras devem contar com profissionais da economia para elucidar a relevância da administração das economias pessoais e esclarecer dúvidas. Além disso, empresas podem transmitir conceitos e conhecimentos diretamente aos clientes com o fito de, paulatinamente, o hábito de gerenciar com sabedoria as próprias finanças seja cultural. Sendo assim, espera-se resolver os desafios que separam o seres humanos da liberdade financeira.