A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 28/12/2020
“Uma das características da cultura é tornar normal o que não é.” A afirmação atribuída ao historiador brasileiro Leandro Karnal simboliza claramente o endividamento do cidadão brasileiro, já que é justamente a normalidade com que a sociedade trata essa questão que a enraíza como problemática no Brasil. Nesse sentido, é imperioso compreender como a herança histórico-cultural e a omissão escolar perpetuam o impasse.
Mormente, é inegável que a nação verde-amarela já nasceu com dívidas. Isso acontece porque, mesmo antes da Independência, por exemplo, o País vivenciou os efeitos de empréstimos e renegociações sem planejamento. Sob esse panorama, o sociólogo Pierre Bourdieu afirmou, na teoria do “Habitus”, que as estruturas sociais de uma época são naturalizadas e , consequentemente, reproduzidas. Dessa forma, caminhos que alterem a estrutura social contemporânea são imprescindíveis.
Além disso, verifica-se, ainda, que a inoperância das instituições de ensino se configura como base do distúrbio exposto. Isso acontece porque, de acordo com Francis Bacon - fundador do empirismo na Modernidade - qualquer área qualquer área do conhecimento, sendo bem desenvolvida e explorada, representa uma forma de poder. Nesse ínterim, a ausência de investimento em educação financeira, por exemplo, não trará o poder de libertaçao do imbróglio social apresentado.
Torna-se evidente, portanto, que prevenir o endividamento do cidadão brasileiro é indispensável. Assim sendo, compete ao Ministério da Educação desconstruir a estrutura viciosa do endividamento, por meio da adição da disciplina Educação Financeira e Finanças Pessoais, em todos os níveis de ensino. Essa disciplina terá a perspectiva de desenvolver mecanismos, desde a infância, de controle financeiro. Dessa forma, o endividamento deixará de fazer parte dos traços culturais da Nação, como afirmou Karnal.