A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 10/01/2021
Em 1929, os EUA vivenciava sua maior crise financeira. Fruto da falta de planejamento por parte do governo e empresas privadas, o país levou anos para reestruturar sua economia, reerguendo-se graças a grandes estratégias como o “New Deal” e colaboração da sociedade civil, que precisou analisar e reorganizar suas finanças. Na contemporaneidade, diversos países ainda passam por crises econômicas causadas não apenas por fatores sociais e políticos, mas também por falta de direcionamento financeiro desde a infância até sua fase laboral. O grande endividamento de brasileiros que não conseguem honrar seus compromissos na fase adulta expõem essa realidade.
Inicialmente, é necessário enxergar que o Brasil não educa crianças e jovens de maneira igualitária, sendo beneficiados aqueles que podem pagar mais por um serviço que, constitucionalmente, deveria ser de qualidade para todos. A ausência de planejamento financeiro “aprisiona” os cidadãos em rotinas de trabalho apenas para sobrevivência. Tal problema se relaciona com as ideias de Epiteto, antigo filósofo grego que acreditava ser a educação o único meio para libertar indivíduos. Um exemplo disso é a agenda econômica do Keynesianismo que retirou americanos da Grande Depressão em 1929, gerando empregos e oportunidades associados ao “New Deal”.
Outro desafio é o combate ao consumismo de maneira exagerada que vicia os cidadãos a desejarem além do que conseguem pagar. De acordo com Zygmunt Bauman, a fluidez nas relações sociais é característica de uma pós-modernidade líquida que apenas pensa no presente e descarta a solidez de planejamentos futuros. O pensamento do sociólogo polonês mostra que enquanto a educação financiera não for tratada com prioridade desde cedo, os índices de endividamento continuarão a revelar uma alarmante tendência de crescimento entre jovens e adultos.
Portanto, para que os cidadãos consigam organizar suas finanças, poupando e consumindo apenas quando necessário, é preciso que o Ministério da Economia, em parceria com as instituições de ensino, promova cursos de Economia básica — especialmente na fase escolar — para que os alunos entendam a importância e o impacto que o dinheiro tem em suas vidas. Em adição, o Estado deve divulgar propagandas institucionais ratificando a importância do consumo consciente, com postagens nas redes sociais, visando reduzir o número de endividamento financeiro entre a população civil. A iniciativa reduz não apenas os negativados no Brasil mas também evita o aparecimento de grandes crises como a de 1929 e forma indivíduos que consomem com mais sabedoria.