A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 16/01/2021

Embora a Constituição Cidadã, promulgada em 1988, trate educação como um direito humano fundamental, percebe-se que, na realidade brasileira, não há o cumprimento dessa prerrogativa, principalmente no que diz respeito ao descaso com o ensino financeiro. Esse cenário nocivo ocorre não só devido ao alheamento social sobre as benesses de tal aprendizado, mas também em razão da obsolescência da estrutura educativa tradicional. Isso posto, é indispensável reagir a essa problemática.

Em primeira análise, é imperativo salientar a escassa criticidade do coletivo nacional sobre a relevância de saber administrar as finanças. Sobre isso, de acordo com o portal Agência Brasil, em 2019, cerca de metade dos brasileiros não fazem planejamento de gastos. À sombra disso, tal conjuntura de obscurantismo civil é análoga à menoridade intelectual, delineada pelo filósofo iluminista Immanuel Kant, o qual afirma que o indivíduo atinge sua “maioridade” ao passo que deixa de agir de maneira alienada e passa a proceder consoante ao exercício da razão. Logo, o brasileiro só alcançará a postura de maioridade crítica, frente à ignorância monetária, quando entender que esta é fator preponderante na estagnação econômica, assim como na perpetuação de dívidas evitáveis.

Ademais, é imprescindível salientar a importância de uma educação multidisciplinar na autonomia do corpo civil. No entanto, constata-se que o sistema pedagógico arcaico brasileiro está intimamente atrelado à frágil conduta orçamentária dos cidadãos, visto que, segundo o Ministério da Educação, não são disponibilizadas aulas sobre esse assunto na grade curricular nacional. Nesse viés, tal quadro contraria o modelo de ensino elucidado pelo sociólogo Paulo Freire, em que defende o conhecimento como agente de transformação social, posto que esse precisa ser plural, amplo e atender às demandas sociais. Assim, a falta de um ensino que estimule a familiarização com a organização econômica colabora com a manutenção de uma comunidade ignorante financeiramente.

Verifica-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar o anafalbetismo financeiro em todo o território nacional. Para isso, enfatiza-se que o Ministério da Economia, junto às Secretarias de Educação Estaduais, estimule a prática do controle financeiro dos brasileiros, por meio ora de palestras escolares elucidativas, ora de treinamentos oferecidos pelas prefeituras municipais, com o objetivo de construir uma postura crítica acerca da pertinência da organização das despesas. Dessa forma, o cidadão alcançará a emancipação econômica, bem como a Constituição será efetivada.