A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 02/03/2021
Conforme o artigo 205 da Constituição Federal de 1988, a educação é um direito de todos e é dever do Estado assegurá-la, a fim de garantir o preparo da população para o exercício da cidadania. Todavia, tal determinação não é efetivamente posta em prática, tendo em vista a inexistência da educação financeira na vida dos cidadãos, fato que configura um preocupante problema no Brasil. Vê-se que a privação dessa didática é oriunda da negligência com as escolas e da falta de capacitação do corpo docente. Assim, contribui-se para o consumo exacerbado e instabilidade monetária. Dessa forma, medidas são fundamentais para alterar essa realidade.
Em primeira análise, cabe pontuar que o sucateamento da rede pública de ensino dificulta a inserção da educação financeira. Se por um lado o documento constitucional preconiza uma formação de qualidade, por outro lado diversas instituições de ensino carecem de infraestrutura e de material didático capazes de efetivar essa deliberação. Além disso, como outra causa para a situação problemática abordada, a ausência de investimentos na qualificação de professores impede que esses sejam capazes de lecionar disciplinas sobre finanças nas escolas. Logo, urge discutir ações para minimizar o impasse.
Posteriormente, deve-se abordar, como consequência do contexto supracitado, os gastos descontrolados da população. Os filósofos Guy Debord e Gilles Lipovetsky usaram o termo “Sociedade do Consumo” para designar o corpo social hodierno que se caracteriza pelo consumo constante e excessivo. Esse cenário é, majoritariamente, reflexo da falta de conhecimento financeiro, uma vez que até mesmo os indivíduos escolarizados não são capazes de organizar suas finanças e viram reféns do consumismo e de endividamentos futuros. Adicionalmente, esse descontrole impede um planejamento familiar estável ou o surgimento de novos empreendimentos. Dessa maneira, torna-se imprescindível a proposição de medidas para atenuar essa situação.
Portanto, ao analisar a precaridade da educação brasileira, observa-se a influência dessa no entrave social, o que exige um plano de ações eficientes para a redução do problema. Posto isso, compete ao Ministério da Educação, por meio de investimentos governamentais, fornecer livros didáticos de boa qualidade para as instituiçõs públicas e cursos de capacitação para professores do ensino fundamental e médio - colocando em prática a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef) que deveria estar em vigor desde o ano de 2020 - com o intuito de possibilitar o ensino sobre educação financeira nas escolas. Ademais, cabe ao núcleo familiar trocar conhecimentos com crianças e adolescentes, objetivando a consolidação de planejamentos financeiros que atenda ambas as partes.