A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 14/03/2021
Na comédia brasileira “Até que a Sorte nos Separe”, é retratada a vida e as dificuldades de uma família que, alguns anos após ganharem na loteria, entram em falência devido ao gasto excessivo e desnecessário do dinheiro. Mesmo que de forma humorística, o longa traz à tona um tema que demonstra a realidade da maioria dos brasileiros: a falta de educação financeira. Assim, tal situação nociva é impulsionada pela negligência escolar e passividade parental, refletindo diretamente no poder aquisitivo e no controle de dívidas.
A princípio, ao averiguar o quadro aludido, depreende-se que a negligência escolar acentua a problemática. Nesse viés, conforme o ativista africano Nelson Mandela, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Entretanto, apesar do papel transformador da escola, é fundamental notar que esse ambiente carece de uma instrução monetária aprofundada, visto que a falta de incentivo e uma infraestrutura adequada para realização dessa atividade. Por conseguinte, impulsiona a vinculação do “Consumo, logo existo”, enunciado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, que caracteriza a sociedade pós-moderna, ou seja, voltada para o consumo desenfreado.
Outrossim, é de suma relevância evidenciar a passividade parental como propulsora do revés aludido. Nessa perspectiva, o sociólogo Talcott Parsons argumenta que a família é uma máquina que produz personalidades humanas, formadora de caráter. Contudo, é pertinente enfatizar que muitos pais se isentam dessa função em relação a ensinar os filhos o controle com o dinheiro, dado que carecem de conversas sobre o assunto e comumente não demonstram exemplo. Dessa forma, acarreta o aumento no número de inadimplentes no país, como confirma a pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), em que mais de 62 milhões de brasileiros encerraram o ano de 2018 com o nome sujo.
Portanto, intervenções capazes de ampliar a importância da educação financeira no Brasil são improrrogáveis. À vista disso, é dever do Ministério da Economia, aliado ao Ministério da Educação, inserir a disciplina de Educação Financeira nas escolas, com a disponibilidade de professores economistas, para que crianças e jovens tenham, mesmo que de forma facultativa, acesso a conhecimentos sobre finanças, fazendo com que desde cedo o brasileiro adquira maturidade e independência econômica. Ademais, as escolas, com o apoio de ONGs, necessitam desenvolver projetos públicos que instruam e incluam os pais na formação monetária, através de debates lúdicos e informativos que garantam participação ativa e eficaz dos genitores, a fim de distanciar o Brasil da situação vivenciada em “Até que a Sorte nos Separe”.