A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 22/04/2021

“Fico rico, fico pobre”. A frase de João Grilo, do filme Auto da Compadecida, demonstra como o personagem não fazia bom uso do seu dinheiro, já que sempre esgotava sua verba. Fora da ficção, tal cena faz parte da realidade brasileira, uma vez que não há a valorização da educação financeira dentro do país. Diante disso, essa problemática é ocasionada pela ineficiência estatal e pela má influência midiática.

Nessa perspectiva, tal banalização da educação financeira advém da ineficaz ação do Estado. De acordo com o jornal Estadão, no Brasil existem mais de mil projetos voltados a administração de dinheiro, em contrapartida, cerca de 47% dos jovens não sabem se organizar financeiramente. Esse fenômeno ocorre devido à má infraestrutura dessas políticas de ensino monetário, posto que não há investimento em profissionais capacitados em ensinar sobre organização financeira. Logo, a ineficácia estatal coaduna com a formação de “Joãos Grilos”, isto é, indivíduos sempre endividados.

Outrossim, vale ressaltar ainda a má influência da imprensa como agravante desse dilema. Segundo a CDNL – representante do varejo brasileiro – o maior indutor de compras impulsivas da contemporaneidade são os anúncios midiáticos, ou seja, a mídia usa recursos apelativos para convencer o consumidor a comprar algo. Partindo dessa assertiva, tal cenário ocorre em virtude do sentimento de necessidade enraizado pela imprensa no imaginário popular, visto que enquanto não comprar aquilo o individuo permanece inquieto.Desse modo, essa necessidade implantada pela imprensa ressoa em gastos desenfreados.

Urge, portanto, que o Mec – Ministério da Educação e Cultura – implemente na grade curricular à educação financeira por meio de aulas temáticas, conduzidas por economistas, em que os alunos irão aprender a manusear o dinheiro através de simulações do cotidiano, a fim de criar jovens aptos de organizar sua vida financeira. Ademais, é oportuno que a Imprensa corrija o comportamento enviesado por intermédio de entrevistas e palestras sobre gestão monetária e o consumo, com o intuito de amainar os gastos desnecessários. Assim, a situação de João Grilo será apenas uma cena da ficção.