A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 29/04/2021

No filme norte-americano “Os delírios de consumo de Becky Bloom”, é retratado a influência de trabalhar em uma revista de finanças. Nela, a personagem descobre o preço dos produtos e desenvolve uma compulsão por compras que a leva à falência. Isso posto, a ficção apresentada não destoa da realidade brasileira, tendo em vista a crescente influência de corporativas ao moldar o consumo. Por conseguinte, o cenário nacional marcado pelo consumismo, agravado pela falta de preparo educacional, geram uma discussão acerca da falta de conhecimentos financeiros.

Em primeira análise, tem-se noção da falta de preparo educacional, isto é, a carência de medidas para o conhecimento de práticas financeiras que têm um passado de influência negativa na vida dos jovens. Diante disso, analisa-se a teoria que corporações empresariais criam situações e padrões comportamentais visando maior lucro. Isso é, a criação de um contato maior entre consumidor e produto. Entre eles, a criação de um padrão de beleza, impulsionando a venda de bebidas, cintas e pílulas em busca de aparentar perfeição. Sem uma preparação para tamanha influência, a população jovial tende a se endividar de forma exuberada em um curto período de tempo. Já que, segundo a UOL, 41% da população adulta do país terminou o ano endividados. Ou seja, a combinação da propagação e difusão em massa com a falha educacional causam a atual cultura de consumo.

Ademais, nessa perspectiva, no livro francês “Sociedade do espetáculo”, do filósofo e sociólogo Guy Debord, é explicitada sua teoria de que todas pessoas vivem suas vidas como se fosse uma performance, tentando sempre dar o melhor show uns para os outros e aparentar perfeição. A teoria se comprova correta quando comparada a realidade contemporânea brasileira, a qual tende a comprar sempre o que está na moda e é julgado melhor, sem levar em conta os gastos excessivos e endividamento. Com uma competitividade acirrada, agravada pela globalização, espera-se cada vez mais a busca pelo enquadramento em padrões. Os valores se tornam cada vez maiores, e no final o que se torna inalcançável, gerando apenas contas altas e acúmulos materiais.

Portanto, medidas devem ser adotadas para que as consequências sejam contidas desde seus primórdios. O Ministério da Educação deve propor a inclusão de aprendizados financeiros na educação básica por meio de um projeto de lei entregue à Câmara de Deputados. Nela, deve constar que oferta-se um auxílio de meio salário mínimo adicionado a renda atual do profissional da área. Espera-se, com esta medida, que a importância e os desafios da oferta de educação financeira nas escolas brasileiras tomem seus devidos lugares para melhorias.