A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 06/05/2021
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) — conjunto de protocolos que legitimam a equipotência de privilégios entre os seres humanos— “todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”. Contudo, quando se observa o hodierno cenário brasileiro, percebe-se que essa garantia não se encontra totalmente assegurada, tendo em vista as mazelas sociais vigentes, nutridas, em sua maioria, pela falta de conhecimento dos indivíduos sobre a importância da educação financeira em suas vidas. Viabilizando, assim, uma análise do consumismo e da estagnação das disparidades econômicas e profissionais entre as classes sociais como sendo as principais consequências da ignorância monetária na vida do cidadão.
Nesse contexto, Nathalia Arcuri, especialista em finanças e dona do canal do Youtube, “Me Poupe!”, pontua que o ato de não economizar dinheiro para emergências futuras é um dos principais sinais de falta de educação financeira em uma pessoa, caracterizada, por sua vez, pelo consumo não consciente, nem com o meio ambiente nem com as suas reais necessidades materiais. Consoante a isso, Karl Marx, em seu livro “O capital”, defende que a alienação social do proletário faz com ele nunca saia da sua posição de objeto de exploração, uma vez que para o trabalhador a realidade objetivada nunca foi a de tomar posse dos meios de produção, mas sim de ter poder para comprar o que esses meios de produção comercializam. De tal forma que as pessoas, ainda hoje, devido a falta de instruções, não têm o pensamento coletivo de investir em ações para mudar de realidade financeira, uma vez que elas se satisfazem apenas em alimentar a indústria do consumo e em serem submissos ao dinheiro.
Frente a isso, Robert Kiyosaki, em seu livro “Pai Rico, Pai Pobre”, defende que o maior motivo das pessoas não enriquecerem e eliminarem as desigualdades socias impostas à elas é o fato de não saírem do comodismo, isto é, de não arriscarem em novas alternativas de ganhar dinheiro, capazes de fazerem a economia trabalhar para elas e não o contrário, sendo que segundo o autor este receio provém, novamente, da falta de educação financeira na sociedade, responsável por criar sujeitos que só pesam em ganhar e gastar dinheiro, nunca em criá-lo.
Assim, o Ministério da Educação (MEC) — órgão responsável pela capacitação dos cidadãos à sociedade — deve acrescentar nas escolas, por meio de uma reforma na base curricular nacional, a disciplina de educação financeira, na qual haja aulas práticas de adequação ao mercado monetário, ou seja, de investimentos, visando alcançar, então, a desalienação da classe explorada e a redução, consequentemente, da postergação de direitos imposta à esta, fazendo prevalecer, assim, uma vida com respeito para todos, sem distinção, conforme legitima a DUDH.