A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 16/05/2021

Ao longo da história, a moeda brasileira passou por diversas reformulações, o que fomentou uma oscilação financeira e construiu uma cultura sem o hábito de se poupar dinheiro. Dessa modo, a população brasileira tem a sua independência financeira limitada, em casos de instabilidade empregatícia ou de imprevisto orçamentário, pois coloca-a em situações de vulnerabilidade econômica. Portanto, tal conjuntura é fruto da cultura herdada e do não desenvolvimento da educação - cerne transformador socioeconômico, de extrema importância para garantir um consumo crítico - financeira, no seio familiar e escolar, visto que se configuram como limitadores do desenvolvimento da autonomia dos brasileiros.

Consoante o filósofo Jacques Derridá, hábitos culturais que geram problemáticas sociais podem ser desconstruídos. Sendo assim, a ressignificação de como os brasileiros lidam com o dinheiro é de extrema relevância para garantir a independência financeira, visto que, no sistema do capital, a liberdade restringe-se ao âmbito econômico. Por conseguinte, sem planejamento orçamentário, os seres sociais ficam expostos às adversidades da vida, como o desemprego, as doenças, o que pode chegar a comprometer os gastos mensais essenciais e submetê-los a condições indignas de vida.

Ademais, tal hábito cultural vincula-se ao não fornecimento de educação financeira, tanto familiar como escolar, o que relega os indivíduos à obscuridade econômica. Dessa forma, à medida que a família não ensina – tanto por não saber, como por falta de comunicação - aos mais novos a organizarem as suas finanças, e o Estado trata com displicência a obrigatoriedade da disciplina no plano escolar, há a potencialização da cegueira noturna econômica, pelo fato de não ocorrer o desenvolvimento da autonomia dos indivíduos e de fomentar a reprodução do consumo descontrolado e passivo como via de regra geral.

Logo, a fim de que haja a construção da independência financeira brasileira e o desenvolvimento de cidadãos detentores de controle sobre o capital, faz-se necessária uma reformulação educacional desde o ensino básico e a disseminação de propagandas críticas - orientada pelo Ministério de Educação e de Propaganda, respectivamente - que naturalize o hábito do planejamento orçamentário, ao inserir a educação financeira como disciplina obrigatória e ao estimular a criticidade, no seio civil, acerca da importância de se ter seguridade econômica e de se consumir conscientemente. No entanto, tais medidas só se efetivarão, também, por meio da comunicação e do esclarecimento familiar em relação à renda líquida. Portanto, os indivíduos tornar-se-ão autônomos e construtores das suas vidas, de modo mais equilibrado e planejado.