A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 18/05/2021
Denominada como ‘‘Cidadã’’ por Ulysses Guimarães, a Constituição Federal de 1988, por ter sido concebida no processo de redemocratização, pondera que todo cidadão brasileiro deve possuir o pleno acesso à educação e a cultura. Contudo, no que tange à educação financeira, nota-se que essa prática não é democratizada. Nesse viés, é preciso ressaltar os benefícios dessa modalidade de ensino, bem como salientar a claudicação estatal como o entrave desse quadro.
Sob esse prisma, é imperativo pontuar que, o ensino básico, por ser moldado de uma ampla rede de ações que tenham o objetivo de garantir o opimo desenvolvimento do estudante na sociedade hodierna, mostra-se substancial para o aprimoramento da educação financeira no país. Isso porque, segundo o filósofo John Locke, o ser humano nasce como uma ‘‘folha em branco’’, e, consequentemente, suas condutas são moldadas por intermédio de suas experiências coletivas. Paralelamente, a educação financeira nas escolas é capaz de suprimir os obstáculos que empedem o profícuo acesso dos jovens ao setor econômico, garantindo, assim, o entendimento acerca da rede mercadológica e dos grupos bancários, de modo a evitar indiligências financeiras no futuro.
Simultaneamente, entretanto, é lícito afirmar que a inserção da educação financeira no currículo escolar ocorreu de forma concentrada e excludente, o que privilegiou a classe elitista, em detrimento dos estudantes periféricos e de classe média. Nesse sentido, o conceito de ‘‘Amensalismo social’’, arquitetato pelo linguista brasileiro Jason Lima, ilustra bem tal perspectiva, uma vez que disserta acerca dessa segregação social, ao relatar que as classes detentoras de poder econômico inibem, indiretamente, o desenvolvimento dos grupos vulneráveis. Analogamente, a alarmante concentração desse ensino na rede privada de ensino impede que essa frutífera ferramenta educacional seja democratizada, o que contribui para crises econômicas devido à escassez de políticas públicas. Logo, essa claudicação estatal empecilha o pleno exercício da cidadania.
Em suma, diante dos desafios supramencionados, fica clara a necessidade de medidas governamentais. Portanto, com o fito de popularizar a educação financeira no Brasil, a fim de criar uma política de embasamento monetário no ensino básico, torna-se imperioso que o Ministério da Educação insira, no currículo escolar, aulas sobre a cadeia financeira inerente à vida de todo cidadão. Tal alternativa deve possuir professores e tutores especializados nesse setor, focando, principalmente, na rede pública de ensino. Isso deve ocorrer mediante um pacote de ações orçamentárias a ser incluído no Plano Plurinual. Destarte, a população brasileira usufruirá vultosamente dos decretos da Constituição Cidadã.