A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 02/06/2021

Segundo dados divulgados pelo Serviço de Proteção ao Crédito, mais de 60 milhões de brasileiros estavam endividados em 2018.Sob esse viés, esse cenário ilustra os efeitos da incompreensão da importância da educação financeira na vida do cidadão, o que demonstra a massiva falta de conhecimento da população em saber controlar as finanças, de forma a acirrar os problemas econômicos, como as dívidas. Nesse sentido, em virtude da base educacional sobre economia lacunar e do silenciamento em torno dessa situação, emerge um problema complexo.

Em primeiro plano, destaca-se o frágil ensino sobre administração do capital nas escolas públicas do país. Nesse contexto, a Constituição Federal de 1988 defende o pleno direito à educação ampla para todos os cidadãos. Entretanto, no âmbito financeiro, atesta-se que o Estado, muitas vezes, banaliza o necessário ensino educacional financeiro nos colégios, de maneira a contribuir com a má administração da renda do brasileiro, como demonstrado pelo OCDE- Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico-, que mostra a falha de mais da metade dos adolescentes brasileiros  em lidar com o dinheiro obtido. Nessa lógica, esse cenário de banalização educacional é exemplificado, seja pela inexistência de uma disciplina específica que trabalhe com essa habilidade no currículo escolar, seja pelas escassas atividades que discutam esse tema, por exemplo, em palestras.

Além disso, a invisibilidade presente na questão dificulta a sua resolução. A esse respeito, o filósofo Foucoault alega que alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. De fato, os meios de comunicação ampliaram a discussão sobre muitos temas, mas alguns conhecimentos e ideias são obscurecidos por estruturas capitalistas a fim de aumentar o mercado consumidor, bem como dificultar a reflexão do indivíduo, destaca-se o ensino financeiro. Nessa perspectiva, a falta de ensino para lidar com o capital e saber o que consumir facilita a manipulação empresarial, a qual aumenta os desequilíbrios financeiros do cidadão, como em dívidas, e busca diminuir o debate sobre controle da renda.Logo, é importante debater amplamente essa questão.

Portanto, é necessária uma resolução para esse entrave discorrido. Posto isso, cabe ao Ministério da Economia, em parceria com o MEC, formular aulas gratuitas que ensinem como controlar a renda mensal, por meio da colocação dessa estratégia na Base de Diretrizes Orçamentárias,com a finalidade de educar o bolso do cidadão, assim como ampliar a discussão sobre esse tema. Ademais, essas aulas devem ser divulgadas em programas de rádio locais para facilitar o acesso a esse conhecimento, além de serem ministradas por professores de economia das universidades públicas do Brasil. Dessa maneira, possivelmente, o brasileiro se tornará mais consciente e crítico sobre seu dinheiro.