A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 04/06/2021
Promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à educação. Contudo, na atual sociedade brasileira, há uma ínfima atuação de políticas públicas acerca da necessidade de implementar uma educação financeira nas escolas, devido, majoritariamente, à negligência governamental e à má formação socioeducativa.
Diante desse cenário, vale ressaltar o “Pacto Social”, do contratualista John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos, como a educação e o bem-estar. No entanto, é evidente o rompimento desse contrato quando se observa a ausência de atuação do governo no que diz respeito à criação de uma disciplina escolar que trabalhe a educação financeira, que é fundamental para a manutenção do bem-estar social, visto que, segundo o IBGE, há, no Brasil, aproximadamente, quatorze milhões de pessoas desempregadas, e que, sem possuírem uma poupança, encontram-se na mais extrema pobreza, o que fere totalmente a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual garante, como máxima, o direito à igualdade. Assim, é notória a ineficácia estatal na implantação dessa atribuição para todos os cidadãos, pois a falta de apoio daquele que é responsável por promover o bem-estar social corrobora com a perpetuação desse quadro deletério.
Além disso, alude-se ao pensamento do intelectual Paulo Freire, ao evidenciar que: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Sob essa perspectiva, percebe-se a importância do estímulo das escolas para a formação de indivíduos íntegros e conscientes, haja vista que existem muitos jovens que não conhecem as consequências inerentes da não implementação de uma educação financeira nas escolas do Brasil - visto que esse tema não é, em sua maioria, devidamente trabalhado durante as aulas de Sociologia - e menos ainda conhecem os mecanismos que os auxiliam a guardar dinheiro, a exemplo da criação de conta em banco. Dessa forma, as instituições de ensino possuem uma importante função para que a falta de conscientização financeira não se perpetue no futuro.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela administração dos aspectos educacionais da nação - implementar na Base Nacional Comum Curricular uma disciplina que seja voltada para a conscientização financeira dos estudantes. Ademais, compete às escolas - enquanto formadora de opiniões públicas - alertar os adolescentes sobre os métodos para se investir dinheiro, por meio de pesquisas on-line realizadas pelos próprios alunos, a fim de elucidá-los acerca dessas opções e também da importância de se ter uma boa educação financeira para o bem-estar social.