A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 15/08/2021
A crise de 1929, também descrita na história como “A Grande Depressão”, foi um período de recessão econômica no território estadunidense em detrimento do “estilo de vida americano”, que baseava-se em: consumismo, produção exagerada e ostentação pós-desenvolvimento industrial. Através dessa ótica, é notório que a estabilidade financeira de um país depende, intrinsecamente, da importância da educação financeira na vida do cidadão. Nesse ponto, o retrocesso socioeconômico de países frágeis, como o Brasil, é motivado tanto pela banalização do ensino financeiro, quanto pelo imediatismo consumista.
Em primeira análise, é sensato pontuar a negligência escolar quanto à educação financeira e seus altos custos a longo prazo. Nesse intuito, consoante informações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mais de 50% dos jovens brasileiros não possuem o conhecimento financeiro básico para ministrar a própria vida financeira, logo, é de senso comum que, dada essa alarmante porcentagem, a geração leiga de hoje promoverá a instabilidade econômica de amanhã, em razão da limitação da grade escolar. Sendo assim, torna-se vital a inserção de conhecimento financeiro à escolaridade curricular a fim de evitar um possível declínio econômico no país.
Outrossim, consequentemente, é irrefutável negar a correlação entre a ausência de educação financeira e o imediatismo consumista presente no corpo social. Sob esse viés, o poema “Eu, etiqueta”, de Carlos Drummond de Andrade, satiriza, em suas entrelinhas, o consumo moderno e a ostentação da classe trabalhadora. Em correlação ao satírico poema de Drummond, dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) elucidam que aproximadamente 62,2 milhões de brasileiros terminaram o ano de 2018 com o CPF negativo, ou seja, com dívidas acumuladas, o que configura 41% da população economicamente ativa. Sob o pressuposto, o consumismo e a inadimplência são produtos do desserviço à educação financeira no governo atual.
Infere-se, portanto, que ações devem ser delegadas com o propósito de reverter o retrocesso socioeconômico e tornar o Brasil um país economicamente desenvolvido. Para tanto, somente o Ministério da Educação(MEC) — que tem como função social ministrar a educação brasileira — tem o poder de tornar o ensino financeiro matéria obrigatória em sala de aula no ensino infantil, fundamentel e médio. Por meio de um projeto federal, o MEC deve reformar a grade curricular do ensino público e adicionar matérias que auxiliem os alunos na vida adulta e ajude-os a tomar consciência de suas responsabilidades como cidadãos da nação brasileira, tal como a educação financeira. Destarte, somente assim o Brasil desviará do abismo econômico e tomará o período da “Grande Depressão” dos Estados Unidos como exemplo para não negligenciar a economia do país.