A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 03/07/2021
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - assegura a todos os cidadãos o direito à educação. No entanto, na conjuntura contemporânea , nota-se que essa prerrogativa não é totalmente efetiva na prática, em virtude da ausência de educação financeira nas instituições de ensino, a qual é de extrema importância para a vida dos indivíduos. Nesse contexto, urge analisar como a negligência estatal e a falta de istrução familiar impulsionam tal problemática.
Convém ressaltar, a princípio, que o aumento gradual de indivíduos endividados está intrinsecamente relacionado à inobservância estatal. Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, 66% dos brasileiros possuem dívidas. Nesse viés, tal panorama ocorre, sobretudo, devido à mínima atuação do Estado em proporcionar aos cidadãos uma educação voltada ao planejamento financeiro, desde a infância. Com base nisso, as instituições de ensino básico priorizam apenas conteúdos direcionados aos vestibulares e não se atentam em orientar os discentes acerca da gestão de futuras finanças. Desse modo, milhares de alunos concluem o ensino médio sem saber administrar o próprio dinheiro e, consequentemente, ficam suscetíveis a contraírem dívidas na fase adulta.
Outrossim, vale salientar que a falta de orientação familiar corrobora para a manutenção desse cenário de inadimplência. De acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito, apenas 25% dos jovens de 18 a 30 anos fazem controle financeiro. Nessa perspectiva, muitas famílias não possuem conhecimento suficiente sobre como planejar e administras suas finanças, haja vista que esse assunto é pouco discutido no seio familiar, o que propicia a permânencia de indivíduos que não praticam o consumo consciente. Diante disso, uma parcela do público infato-juvenil, por não terem tido direção familiar acerca do controle monetário, adquirem costumes que prejudicam as suas relações econômicas e, posteriormente, seu desenvolvimento pessoal.Por conseguinte, a continuidade desse comportamento social é normalizado e reproduzido para as próximas gerações.
Infere-se, portanto, que é imprescindível adotar medidas estratégicas para promover a educação monetária no âmbito social. Logo, cabe ao Ministério da Educação - órgão do Estado responsável pela formação civil - incluir a matéria de Educação Financeira na grade curricular do ensino fundamental e médio, uma vez que esse conteúdo ensina os indivíduos a organizarem os seus gastos. Isso deve ser feito por meio da alteração da Base Nacional Comum Curricular, a fim de preparar o indivíduo jovem para um consumo consciente e, dessa maneira, evitar o endividamento. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementeos elencados na Magna Carta.