A importância da educação financeira na vida do cidadão

Enviada em 20/07/2021

O filme “Até Que A Sorte Nos Separe”, da Globo Filmes, aborda, de forma humorada, a vida de Faustino, que após jogar na loteria ganha o prêmio de 100 milhões, mas todo esse dinheiro não é suficiente para que o protagonista não declare falência, pois seus gastos o faz perder tudo. Nessa óptica, fora da trama, essa é a realidade de muitos brasileiros, haja vista que gastam mais que ganham, visto que não recebem educação financeira. Decerto, isso decorre tanto do consumismo exacerbado quanto pela falta de ensino escolar. Assim, é fundamental discutir e buscar soluções que atenuem essa mazela social.

Sob esse viés, as sociedades modernas são baseadas no modelo capitalista de consumo. Nessa perspectiva, o filósofo Karl Marx defendia que a mercadoria deixa de ocupar a posição de objeto e passa a se configurar como uma matéria viva, da qual os homens são dependentes. Sem dúvidas, o pensamento marxista ecoa na atualidade, tendo em vista que, diariamente, novos produtos, como celulares e computadores são lançados no mercado. Consequentemente, o desejo de compra somado às formas de obtenção de crédito impulsionam as vendas, o que torna o endividamento crescente entre os brasileiros. Dessa forma, faz-se mister reformular a postura da população, no intuito de desenvolver uma mentalidade crítica ao se deparar com novas mercadorias.

Além disso, ressalta-se que a falha educacional reforça esse quadro deletério. Segundo o filósofo Schopenhauer, os limites da visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Nesse panorama, observa-se que a escola desempenha uma função primordial na vida do alunado, já que fomenta o desenvolvimento do intelecto. Por certo, o conhecimento adquirido amplia a visão dos indivíduos, dado que estimula a formação do pensamento crítico perante as novidades do comércio. Dessa maneira, enquanto as instituições de ensino se desviarem da orientação sobre educação financeira, os cidadãos continuarão cegados pelas propagandas que as grandes empresas promovem.

Logo, medidas devem ser tomadas para que a educação financeira faça parte do ideário brasileiro. Nesse sentido, o Poder Executivo, em específico o Ministério da Educação, deve criar o “Plano de Educação Financeira”. Tal projeto irá formular e implantar nas bases do ensino médio, com a ajuda de economistas e outros especialistas, módulos sobre como identificar as técnicas utilizadas pelas empresas para promoverem seus produtos e incentivar o consumo e, ainda, ensinar as melhores formas de guardar dinheiro, como na poupança e outros investimentos, a fim de ajudar os cidadãos a cuidarem de seus ganhos para que não gastem mais do que ganham. Desse modo, o debate sobre a importância da educação financeira será incentivado no País e a população irá superar esse desafio.