A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 23/07/2021
Ao declarar a escravidão como um atraso, a Princesa Isabel não havia adotado uma postura social, mas sim econômica. Tal fato, se dava pelo ideal imagético de que os ex escravizados poderiam consumir os seus bens e, assim, garantir-lhe lucro. Infelizmente, apesar das relações de poder terem se modificado, para como diria o sociólogo Karl Marx, entre proletários e burgueses, no Brasil atual, a busca pelo capital, advindo pela classe dominada, através do incentivo ao consumismo, ainda que gere endividamento e aprofunde a desigualdade social é a maneira de dar progresso ao plano originário da Inglaterra.
A princípio, salienta-se que o acúmulo de bens tem aumentado o número de endividados. Nesse sentido, segundo Marx, o sistema capitalista cria a chamada “fetichização da mercadoria”, que seria a promoção de determinado produto como algo imprescindível ao consumidor, ou seja, não é anunciado um carro para locomoção, mas sim a viagem dos sonhos que poderia ser realizada com toda a família. Dessa maneira, o fetiche criado em torno de um bem de consumo, incentiva os cidadãos alienados financeiramente, a comprarem o mais novo produto anunciado no comercial, o qual gera, em paralelo, mais dívidas.
Ademais, a inércia do Estado na adoção de medidas para orientação financeira da população é sinal de conivência com a situação atual. Segundo o economista Celso Furtado, a principal causa de todos os problemas sociais é o subdesenvolvimento. Nesse viés, entende-se que a presença de “Fabianos” - personagem do livro “Vidas Secas”, escrito por Graciliano Ramos, que fora explorado e enganado pelos detentores do conhecimento -, é uma estratégia de maior rentabilidade para o Governo, visto que enquanto o cidadão endivida-se, esse recebe o montante. Desse modo, urge que o endividamento da população seja tratado como um problema a ser resolvido e não algo a ser lucrado.
Portanto, caminhos devem ser adotados para implementação da educação financeira no Brasil. Posto isso, é mister que o Ministério da Economia, em parceira ao Ministério da Educação, crie cursos semestrais de organização de finanças nas escolas de ensino básico, o qual haja a participação da família e que por meio de jogos interativos, situações problemas, especialistas no assunto possam promover aos Fabianos e não a princesa Isabel, a administração do capital.