A importância da educação financeira na vida do cidadão
Enviada em 02/11/2021
A Constituição de 1988 garante a todos os indivíduos o direito à educação. Contudo, apesar da defesa normativa, há, na hodierna sociedade verde-amarela, um irrisório respaldo à implementação, nos estabelecimentos de ensino, de um consenso econômico, devido, majoritariamente, não só à inoperância governamental, mas também à má-formação socioeducativa. Por conseguinte, torna-se imperiosa a análise dessa conjuntura, de modo a revertê-la, paulatinamente, da engrenagem grupal.
Diante desse cenário, é lícito ressaltar a obra “Uma Teoria da Justiça”, de autoria do contratualista John Rawls, ao inferir que o Estado deve garantir os direitos imprescindíveis dos indivíduos, como a educação e o bem-estar. No entanto, é evidente o rompimento desse contrato, quando se observa a ausência de atuação do governo no que diz respeito à adequação de um consenso econômico na educação básica brasileira, o que deturpa totalmente a Magna Carta. Nesse âmbito, o seriado “Round 6”, pertencente ao catálogo da empresa de “streaming” Netflix, alumia o conjunto de jogos mortais praticado por centenas de pessoas endividadas, as quais, com o escopo de sanar suas dívidas, colocam suas vidas em risco na busca de um prêmio bilionário. À margem da diegese, resguardando, todavia, as proporções distópicas, no Brasil, consoante o IBGE, 60% dos indivíduos, aproximadamente, afim à ficção, lastimavelmente, são inadimplentes. Assim, o apoio estatal é imprescindível para a efetiva reversão desse quadro deletério.
Além disso, alude-se ao pensamento do intelectual Paulo Freire, ao evidenciar que, “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” Sob essa perspectiva, percebe-se a importância do estímulo das escolas para a formação de indivíduos íntegros e conscientes, haja vista que há muitos jovens que não conhecem as consequências inerentes à não implementação de uma educação financeira nas escolas do território nacional, a exemplo, retratado na produção audiovisual, da contração de inúmeras contas. À vista disso, existe, no ambiente educacional, ainda na pedagogia freiriana, uma desvalorização no que tange à interpelação de quesitos de cunho social, em virtude da carência da Base Nacional Comum Curricular (a qual acoroçoa tão somente uma “educação bancária”, isto é, conteudista), engendrando com que esse tema não seja, na maioria das vezes, devidamente abordado durante as aulas de Sociologia.
Dessarte, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pela administração dos aspectos educacionais da nação - reformular a BNCC, inserindo os litígios, na disciplina de Sociologia, intrínsecos à prática financeira, os quais deverão ser esgrimidos por meio de pesquisas on-line realizadas pelos próprios discentes, a fim de elucidá-los acerca da necessidade de deter controle de seu capital.